sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Velho do Restelo


No canto IV, estâncias 94 a 104, de Os Lusíadas, quando a frota do Gama se prepara para partir, de entre a população que comparece na praia para chorar a partida dos navegadores, individualiza-se a figura de um Velho, de "aspeito venerando", "meneando / Três vezes a cabeça, descontente", "Cum saber de experiência feito". Apresentando uma opinião adversa ao projeto expansionista, acusa a "glória de mandar", a "vã cobiça" que, sob a designação de Fama, move o povo, desmontando o heroísmo sobre que assenta a gesta lusitana. Numa perspetiva pessimista, enumera as consequências desse engano, nomeadamente o desamparo e inquietação em que deixam familiares e o "desprezo da vida" que os faz ir ao encontro de desastres, perigos e morte. Ao mesmo tempo, o Velho do Restelo voz às camadas do poder que teriam preferido a continuação de uma política de conquista e cruzada no Norte de África, para o que apresentam os argumentos de defesa da cristã e de reforço da segurança nacional, que a expansão por mar deixa criar "às portas o inimigo", provocando o despovoamento e enfraquecimento do reino.



Deste modo, o Velho do Restelo representa a voz da razão num momento de euforia e deslumbramento, a voz da experiência perante a irreverência. Em certa parte, os seus conselhos acabaram por se revelar proféticos, pois a prosperidade das Descobertas cedo se revelou fugaz, seguindo-se a decadência económica e territorial. Além disso, as contrapartidas da Expansão eram óbvias: jovens viúvas esperaram eternamente pelos maridos, a sociedade portuguesa tornou-se ociosa e cega pela ganância.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Agora é tarde, Inês é morta!


         
Inês de Castro (1320-1355), prima do Infante D. Pedro (1320-1367), depois Pedro I, rei de Portugal, era dama de companhia de Constança, esposa do príncipe. Um dia, quando este a viu, ficou tão atraído por sua beleza que acabou se amasiando com ela, mas o rei Afonso IV, pai de Pedro, insatisfeito com aquela situação, mandou que a recolhessem a um castelo na fronteira com a Espanha, onde a dama continuou a receber notícias do amante. Em 1345 Constança morreu, e então o príncipe, contra as ordens do pai, chamou Inês de volta e a instalou em sua casa, onde viveram maritalmente e tiveram quatro filhos.

Mas o rei Afonso conhecia a ambição dos parentes de Inês, e por isso começou a alarmar-se com o crescente poderio da família Castro. Esse fato, mais as intrigas que fervilhavam em todo o reino, fizeram o rei decidir matar Inês e seus filhos, entregando a Álvaro Gonçalves, Pêro Coelho e Diogo Lopes Pacheco, seus conselheiros, a responsabilidade pela execução. Ao tomar conhecimento do crime o príncipe reuniu seus homens e foi atrás dos assassinos, mas sua mãe o fez assinar com o pai um tratado de aliança que impediu momentaneamente a execução da vingança desejada.

Com a morte de Afonso IV a ferida foi reaberta, e Pedro, coroado rei em 1357, finalmente prendeu dois dos criminosos (pois Diogo, o terceiro, fora avisado a tempo e conseguira fugir), submetendo-os a suplícios de extrema crueldade. Por outro lado, a reabilitação de Inês de Castro revestiu-se de uma imponência nunca vista, já que seus restos mortais foram levados para o mosteiro de Alcobaça entre alas de servos empunhando grandes velas acesas, para ocupar um dos túmulo que, com o de Pedro I, constituem duas obras primas da escultura sepulcral portuguesa da Idade Média.

Mas as lendas sobre a morte e coroação post-mortem de Inês de Castro são de origem literária, como acontece em "Os Lusíadas", de Camões, e na tragédia "Castro", de Antonio Ferreira, uma vez que sua história serviu de tema para tragédias, poesias, romances e estudos escritos em português, espanhol, francês, inglês, italiano e holadês. A expressão “agora é tarde, Inês é morta”, hoje em aplicada nos casos em que a solução do problema só aparece quando o desenlace já aconteceu, tem muito a ver com a frase célebre de Camões ao se referir a Inês de Castro: “a que depois de morta foi rainha”.
 
 
Canto III de Os Lusíadas
 
"Tirar Inês ao mundo determina,
Por lhe tirar o filho que tem preso,
Crendo co sangue só da morte indina
Matar do firme amor o fogo aceso.
Que furor consentiu que a espada fina,
Que pôde sustentar o grande peso
Do furor Mauro, fosse alevantada
Contra hua fraca dama delicada?"
 
 

domingo, 16 de setembro de 2012

Biografia de Dom Sebastião (Rei de Portugal)

Sebastião, D. (1554 - 78) Rei de Portugal, cognominado O Desejado, nasceu em Lisboa, póstumo do príncipe D. João (1535-73). É uma das figuras míticas da nossa História. O seu nascimento e sobrevivência foram recebidos com entusiasmo, pois à data já eram falecidos todos os filhos do avô reinante, D. João III, pelo que a falta de um sucessor directo provocava as mais fortes inquietações, apesar de ainda serem vivos vários descendentes portugueses do seu bisavô, o rei D. Manuel I (o cardeal-infante D. Henrique, a infanta D. Maria, os filhos do infante D. Fernando - o Senhor D. Duarte, as Senhoras D. Maria, esta duquesa em Parma, e D. Catarina, esta duquesa de Bragança - e D. António, Prior do Crato, bastardo do infante D. Luís), para além de outros descendentes, por via feminina, em Espanha, Parma e Sabóia.
Morto D. João III (1557), a regência do Reino foi entregue à avó, D. Catarina de Áustria, e da
educação do jovem rei foram encarregados D. Aleixo de Menezes (tio) e o jesuíta P. Luís Gonçalves da Câmara (mestre), para além de outros professores, como Pedro Nunes (matemática) e Frei Amador Rebelo (mestre de escrita). Nesta primeira regência incentivava-se a colonização do Brasil e faz-se campanha contra os índios; o Colégio do Espírito Santo, em Évora, é transformado em Universidade; o Santo Ofício é introduzido em Goa; publicam-se pragmáticas contra o luxo no trajo, nas casas e na alimentação, etc.; em 1562 D. Catarina é substituída na regência por seu cunhado, o cardeal - infante D. Henrique, que, de imediato, instituiu o Conselho de Estado, aprovou os estatutos da Universidade de Évora e entregou aos jesuítas o controlo do Colégio das Artes na Universidade de Coimbra.

A maioridade do rei é declarada em 1568 e logo se instala uma separação
entre o regime anterior e o novo, afastando-se o monarca dos antigos regentes. A acentuada degradação da situação económica do país (fragilização da agricultura, com falta de mão-de-obra, inexistência de indústrias, concorrência e pressão das emergentes potências marítimas como a Holanda, a França e a Inglaterra, degradação da situação militar no Oriente e fragilização da segurança nos mares) impunham novas medidas. O país, porém, estava carenciado de um sólido corpo de funcionários régios, administradores e capitães, como o que notabilizara as primeiras décadas do século.
D. Sebastião, depois de em 1574 ter estado em Ceuta e Tânger, e apesar de forte resistência que encontrou à sua volta, optou pela consolidação da presença portuguesa no Norte de África, sem ter tido consciência da nova dinâmica marroquina, do poder do Islão na zona, e da degradação extrema das possibilidades do Reino. Decidido à intervenção, imediata, com o argumento de solucionar uma querela dinástica marroquina, o exército que arregimentou, onde avultavam mercenários e voluntários alemães, italianos e espanhóis, não oferecia garantias de qualquer êxito e a oposição de parte da nobreza assim o indicava.

Em Agosto de 1578, sob um sol escaldante, e confiando no seu destino, foi derrotado e desapareceu em Alcácer Quibir, deixando no campo de batalha milhares de mortos e cativos. O seu desaparecimento, a falta de sucessão directa, a angústia e a carga emotiva do momento, as histórias desencontradas, a devastação sofrida no exército, criavam à volta do rei desaparecido, mas que alguns afirmaram ter visto morto, uma lenda que o tempo se encarregaria de avolumar, fazendo-o entrar no imaginário popular não apenas em Portugal, mas também em Marrocos e no Brasil.
A falta de D. Sebastião complicou extraordinariamente o problema da independência nacional, pois o breve reinado do cardeal D. Henrique mais não foi do que um interregno que proporcionou a Filipe II de Espanha a organização das campanhas militar, diplomática e corruptora, que exerceu exemplarmente por forma a garantir-lhe a sucessão no trono do seu tio, o cardeal, de seu sobrinho, D. Sebastião, e de seu avô, D. Manuel I.

O mito sebástico ganhou, a partir daí, uma força marcante, provocando o aparecimento de aventureiros, um dos quais nem português falava, e de profetas anunciando o regresso do rei salvador das desgraças do país. Ainda em inícios do século XIX, existia a seita dos sebastianistas. O jovem rei entrou no imaginário popular como o herói intemporal e imortal, alimentando em cada esquina da História o sonho do retorno da grandeza e prosperidade que teimava em não regressar, e que, em verdade, bem discutível fora. Viram o Desejado em várias personalidades, em especial depois do advento das teorias liberais, em D. Miguel, Sidónio Pais, e até em Salazar, e, mais recentemente, depois do 25 de Abril, em diversos políticos que fugazmente se volatizaram, protagonistas históricos cujo estilo de governo se caracterizava quer pelo magnetismo carismático, muitas vezes pela impulsividade, ou apenas por momentâneas circunstâncias. Entre tantos outros o P. António Vieira, Bocarro, Teixeira de Pascoaes e Sampaio Bruno exprimiram, de modo diverso, o significado fundamental da lenda sebastianista, que assenta na crença profunda de uma missão de Portugal no mundo, bem como na necessidade, sempre adiada, do reencontro dos portugueses com os seus dirigentes, ou mesmo consigo próprios.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Partícula “se”

A partícula “se” exerce diversas funções na Língua Portuguesa. Por isso devemos ter alguns cuidados ao analisar a partícula SE.

a) Indeterminação do sujeito – verbo transitivo indireto, quando o verbo está na 3ª pessoa do singular + partícula SE:

(vem acompanhando um verbo transitivo indireto, um verbo intransitivo (sem sujeito claro), um verbo de ligação ou um transitivo direto, em casos de objeto direto preposicionado. Serve para indicar que o Sujeito da oração é indeterminado. A voz é ativa. Neste caso, caso seja feita a tentativa, não é possível pôr a oração na voz passiva analítica.)

- Precisa-se de empregada.
- Necessita-se de companhia.



b) Partícula apassivadora – a oração se encontra na voz passiva sintética, pois usa verbo transitivo direto e verbo na 3ª pessoa do singular ou do plural + partícula SE, deve concordar com o sujeito passivo:

(acompanha verbo transitivo direto e serve para indicar que a frase está na voz passiva sintética. Para comprovar, pode-se colocar a frase na voz passiva analítica, como está feito abaixo.)

- Vende-se laranjinha. / Vendem-se laranjinhas.
- Aluga-se casa. / Alugam-se casas.



c) Pronome reflexivo – quando a partícula reflete o sujeito:
Partícula expletiva ou partícula de realce: virá acompanhando um verbo intransitivo.
Parte integrante do verbo: o pronome faz parte de um verbo pronominal.

- Pedro questionou-se sobre sua postura.
- Joana pintou-se para o carnaval.
Exemplos literários:
“O mancebo sentou-se na rede principal…” (José de Alencar) – pronome reflexivo.
“… mas alegrava-se quando…” (José de Alencar) – índice de indeterminação do sujeito.
“… abriu-se nesse dia uma garrafa de vinho do Porto…” (Aluízio de Azevedo) – partícula apassivadora.
“… reproduziam-se os quartos e o número de moradores…” (Aluízio de Azevedo) – partícula apassivadora.
“… contentou-se com uma simples separação de leitos…” (Aluízio de Azevedo) – índice de indeterminação do sujeito.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Vale a pena!

http://revistalingua.uol.com.br/index.asp

Apoio estratégico

Quando na década de 80 o então presidente José Sarney lançou o Plano Cruzado, que tinha o fim de combater a inflação e estabilizar a economia, um cidadão de Curitiba, à pergunta se a situação tinha melhorado, vacilou, tremeu os lábios, gaguejou um pouco e disse, por fim: "está piorando menos".


É o que está ocorrendo com nosso ensino. Ainda é ruim em muitos níveis e áreas? É. Mas está piorando menos. Há vários indicadores dessas melhoras e uma delas é que agora temos uma universidade, a USP, entre as 70 mais importantes do mundo. É pouco ter uma única universidade brasileira entre as cem mais? É. Mas está piorando menos.


Ainda temos sérias deficiências, apesar de passos decisivos dados nas direções corretas, tanto no setor público como no privado. Boa parte dos médicos mais qualificados dos hospitais referenciais do Brasil estudou em escolas públicas, o mesmo acontecendo nos concursos para ocupação de carreiras de Estado e postos gerenciais nas empresas. 


Nessas mudanças, o ensino da disciplina língua portuguesa cumpre função estratégica. Os professores de quaisquer outras matérias alcançam mais facilmente os objetivos traçados nos projetos pedagógicos, se eles e os alunos são bons em português! 


É frequente que haja prejuízos mútuos no processo de ensino e aprendizagem quando proliferam erros constantes de ortografia e sintaxe. Na Medicina e no Direito, tais equívocos podem matar o paciente ou levar o cliente para a cadeia. A diferença entre veneno e remédio pode ser uma letra apenas. E um enfermeiro que lê mal uma instrução do médico pode matar aquele que ambos querem salvar. 


Apesar de erros ortográficos serem os mais fáceis de perceber, os prejuízos da falta de clareza e de lógica, na fala como na escrita, se não são decisivos como o são na Medicina e no Direito, são igualmente deploráveis. E por quê? Porque quem fala e escreve sem clareza dá indícios de que ouve e lê pouco, e essa deficiência é capital para muitas outras.








http://revistalingua.uol.com.br/textos/78/apoio-estrategico-255324-1.asp
Deonísio da Silva é Escritor, doutor em letras pela USP, professor e vice-reitor de Cultura e Extensão da Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, membro da Academia Brasileira de Filologia.

sábado, 2 de junho de 2012

dias da semana e meses do ano

Mais ajuda para o trabalho

Meses do ano em inglês e os significados dos nomes:
  • January (Janeiro): Janus, Deus dos Portões.
  • February (Fevereiro): Febra, Festival de Purificação.
  • March (Março): Mars, Deus da Guerra.
  • April (Abril): Aprilis, Abertura da Primavera (no hemisfério norte).
  • May (Maio): Maia, Deusa da Fertilidade.
  • June (Junho): Juno, Deusa das Mulheres.
  • July (Julho): Julius, Júlio César.
  • August (Agosto): Augustus, Augusto César.
  • September (Setembro): Septem, sete.
  • October (Outubro): Octo, oito.
  • November (Novembro): Novem, nove.
  • December (Dezembro): Decem, dez.


  • dias da semana:

    Segunda-feira - Monday
    Terça-feira - Tuesday
    Quarta-feira - Wednesday
    Quinta-feira - Thursday
    Sexta-feira - Friday
    Sábado - Saturday
    Domingo - Sunday

    sexta-feira, 1 de junho de 2012

    números em inglês

    só para ajudar no trabalhinho de inglês...

    Cardinal
    Ordinal
    1 One
    1o First
    2 Two
    2o Second
    3 Three
    3o Third
    4 Four
    4o Fourth
    5 Five
    5o Fifth
    6 Six
    6o Sixth
    7 Seven
    7o Seventh
    8 Eight
    8o Eighth
    9 Nine
    9o Ninth
    10 Tem
    10o Tenth
    11 Eleven
    11o Eleventh
    12 Twelve
    12o Twelfth
    13 Thirteen
    13o Thirteenth
    14 Fourteen
    14o Fourteenth
    15 Fifteen
    15o Fifteenth
    16 Sixteen
    16o Sixteenth
    17 Seventeen
    17o Seventeenth
    18 Eighteen
    18o Eighteenth
    19 Nineteen
    19o Nineteenth
    20 Twenty
    20o Twentieth
    21 Twenty-one
    21o Twenty-first
    22 Twenty-two
    22o Twenty-second
    30 Thirty
    30o Thirtieth
    40 Forty
    40o Fortieth
    50 Fifty
    50o Fiftieth
    60 Sixty
    60o Sixtieth
    70 Seventy
    70o Seventieth
    80 Eighty
    80o Eightieth
    90 Ninety
    90o Ninetieth
    100 One (A) Hundred
    100o One hundredth
    101 One Hundred one
    101o One hundred-first
    200 Two Hundred
    200o Two hundredth
    300 Three Hundred
    300o Three hundredth
    1,000 One (A) Thousand
    1,000o One thousandth
    1,000,000 One Million
    1,000,000 One millionth
    1,000,000,000 One Billion
    1,000,000,000 One billionth

    terça-feira, 22 de maio de 2012

    Escola da Ponte, uma ideia que deu certo.

    Bom, não sei se interessa, mas esse pequeno documentário é sobre uma das melhores escolas do mundo, a Escola da Ponte, em Portugal. A qual forma os melhores nos exames nacionais.

    Obviamente, não poderemos trazer tudo o que se passa lá, para dentro de nossas salas de aula, mas poderemos nortear a nossa prática no futuro e analisar os melhores caminhos para os melhores resultados!

    Grande abraço.




    sábado, 19 de maio de 2012

    Verbos Modais - Modal Verbs

    Os verbos modais (modal verbs) são um tipo especial de verbos auxiliares que alteram ou completam o sentido do verbo principal. De um modo geral, estes verbos expressam idéias como capacidade, possibilidade, obrigação, permissão, proibição, dedução, suposição, pedido, vontade, desejo ou, ainda, indicam o tom da conversa (formal / informal). Os verbos modais (modal verbs) podem ser chamados também de modal auxiliaries ou apenas modals. São eles:

    can - could - may - might - must - shall - will - should - ought to - would
    No geral, poderíamos dizer que a maioria dos modals equivale a poder e dever. Em Português, tanto um quanto outro podem expressar situações diversas. Em Inglês, porém, para cada situação há um modal mais adequado.
    Observe alguns exemplos de ideias que os verbos modais podem expressar:

    May I use your umbrella? (Permissão)
    (Posso usar seu guarda-chuva?)

    He may be in the library. (Possibilidade)
    (Ele pode estar na biblioteca.)

    Sorry, I can not understand what you are saying. (Capacidade)
    (Desculpa, não consigo entender o que você está dizendo.)

    The students must behave as I say. (Obrigação)
    (Os alunos devem se comportar como eu digo.)

    She must be very busy, since she has three children, a job and a house to take care. (Suposição)
    (Ela deve ser muito ocupada, já que tem três filhos, um emprego e uma casa para cuidar.)

    Shall we go for a drink after work? (Convite)
    (Vamos tomar um drinque depois do trabalho?)

    Can I leave now? (Permissão - Tom informal)
    (Posso sair agora?)

    Could I leave now? (Permissão - Tom formal)
    (Eu poderia sair agora?)

    It is late, you should go home. (Conselho)
    (É tarde, você devia ir para casa.)

    She can arrive after dinner. (Possibilidade)
    (Ela pode chegar depois do jantar.)

    She must be at the beauty salon. (Dedução)
    (Ela deve estar no salão de beleza.)

    You should see a dentist. (Conselho)
    (Você devia ir a um dentista.)


    Características gerais dos verbos modais:

    1. são precedidos pela partícula to (indicação de infinitivo) nem seguidos por ela, com exceção de ought to:
    She can play the violin. (Ela sabe tocar violino.)

    You must do the next tasks.
    (Você deve fazer as próximas tarefas.)

    He might come here tomorrow.
    (Ele deve vir aqui amanhã. / Pode ser que / Talvez ele venha aqui amanhã.)

    You should see a doctor. You are always complaining about headaches.
    (Você devia ir ao médico, pois está sempre reclamando de dores de cabeça.)

    2. Não necessitam de outros verbos auxiliares para as formas interrogativas e negativas, já que eles próprios são auxiliares:

    May I come in? (Posso entrar?)

    Could you do me a favor? (Você poderia me fazer um favor?)

    I could not finish my homework yesterday night. (Não consegui terminar minha lição ontem à noite.)

    He can not come. (Ele não pode vir.)

    3. Os verbos modais nunca são flexionados, ou seja, possuem a mesma forma para todos os sujeitos; também não podem ser usados nos Progressive / Continuous Tenses e não formam passado com -ed:

    It must be late. (Deve ser tarde.)

    She must be late. (Ela deve estar atrasada.)

    I can ski; she can ski; he can ski; we can ski; they can ski.

    4. Podem ser acompanhados pelo auxiliar be, frequentemente seguido de gerúndio, expressando tempo presente ou futuro, ou pelo auxiliar have seguido de particípio, expressando tempo passado:

    He may be studying now. (Ele deve estar estudando agora.)

    Take your umbrella. It may be raining when you leave your job.
    (Leve seu guarda-chuva. Pode estar chovendo quando você sair do trabalho.)

    Albert may have seen the movie already. (Alberto já deve ter visto o filme.)

    She must have changed her mind. (Ela deve ter mudado de ideia.)

    You could have told me before. (Você poderia ter me dito antes.)

    Do you think she can still be working? It's very late.
    (Você acha que ela pode estar trabalhando ainda? É muito tarde.)

    5. Nas orações negativas acrescenta-se not logo após o verbo modal:

    I can not stay here. (Não posso ficar aqui.)

    Passengers must not use their cell phones on board airplane.
    (Os passageiros não podem usar seus celulares a bordo do avião.)
    You should not talk to your mother loud.
    (Você não deveria falar alto com a sua mãe.)

    I could not speak English before going to England.
    (Eu não sabia falar Inglês antes de ir para Inglaterra.)

    It may not rain tonight. (Pode ser que não chove esta noite.)

    - FORMAS NEGATIVAS DOS VERBOS MODAIS:

    No quadro abaixo apresentamos as formas negativas dos verbos modais, bem como suas formas negativas contraídas:
     
     
    VERBOS MODAIS
    FORMA NEGATIVA
    FORMA NEGATIVA CONTRAÍDA
    CanCannot Can't
    MayMay not---x---
    Must Must notMustn't
    ShallShall notShan't
    WillWill notWon't
    CouldCould notCouldn't
    MightMight notMightn't
    Ought toOught not toOughtn't to
    Should Should notShouldn't
    WouldWould notWouldn't

    OBSERVAÇÕES:

    a. O negativo de can é cannot (sem separar can de not), no entanto, a forma negativa mais comum de can é a contraída can't.

    b. Não há forma contraída para may not.

    c. A forma interrogativa se faz colocando o verbo modal antes do sujeito, à semelhança dos demais auxiliares.

    Biografia completa de Fernando Pessoa


    [1888]

    Junho - No dia 13, nasce Fernando António Nogueira Pessoa, às 15:22pm (hora aproximada). É portanto do signo de Gémeos. O parto ocorre no quarto andar esquerdo do n.º 4 do Largo de São Carlos em Lisboa. Os seus pais são Maria Magdalena Pinheiro Nogueira, natural da Ilha Terceira, Açores, de vinte e seis anos e Joaquim de Seabra Pessoa, natural de Lisboa, de trinta e oito anos, funcionário público do Ministério da Justiça e crítico musical do "Diário de Notícias". Vivem com eles a avó Dionísia, doente mental e duas criadas velhas, Joana e Emília.
    Julho - Fernando Pessoa é baptizado no dia 21 na Igreja dos Mártires, no Chiado, em Lisboa. Os seus padrinhos são a sua Tia Anica (D. Ana Luísa Pinheiro Nogueira, sua tia materna) e o General Chaby. A razão porque lhe é dado o nome de Fernando António está relacionada com dois factores: 1º O dia do seu nascimento, dia 13 de Junho, é dia tradicionalmente consagrado a Santo António na cidade de Lisboa. 2º Os Pessoas reclamavam uma ligação genealógica a Fernando de Bulhões, que viria a ser companheiro de São Francisco de Assis com o nome de Frei António.
    Como o texto é completíssimo, eu não poderia postá-lo no blog por cauda do seu tamanho, nessa maneira, no link abaixo segue a continuação

    http://www.umfernandopessoa.com/biografia-completa.htm

    Flagrante Delitro



    A cena teve lugar em 1929, na loja de Abel Pereira da Fonseca e foi enviada a Ofélia,sua ex namorada, que após receber essa foto reata o romance. No verso a legenda, em que escreveu «em flagrante delitro», mostra um sentido de humor inusitado e surpreendente.



    segunda-feira, 14 de maio de 2012

    Alberto Caeiro

    Alberto Caeiro da Silva nasceu em Lisboa, em 16 Abril de 1889, e na mesma cidade faleceu, de tuberculose, em 1915.
    Alberto Caeiro é considerado o mestre dos heterónimos de Fernando Pessoa, apesar da sua pouca instrução.
    Segundo o seu criador "Nasceu em Lisboa, mas viveu quase toda a sua vida no campo. Não teve profissão, nem educação quase alguma, só instrução primária; morreram-lhe cedo o pai e a mãe, e deixou-se ficar em casa, vivendo de uns pequenos rendimentos. Vivia com uma tia velha, tia avó."
    Pessoa criou uma biografia para Caeiro que se encaixa com perfeição à sua poesia. Caeiro escrevia com a linguagem simples e o vocabulário limitado de um poeta camponês pouco ilustrado. Pratica o realismo sensorial, numa atitude de rejeição às elucubrações da poesia simbolista
    Foi um poeta ligado à natureza, que despreza e repreende qualquer tipo de pensamento filosófico, afirmando que pensar obstrui a visão ("pensar é estar doente dos olhos"). Proclama-se assim um anti-metafísico. Afirma que, ao pensar, entramos num mundo complexo e problemático onde tudo é incerto e obscuro. À superfície é fácil reconhecê-lo pela sua objectividade visual, que faz lembrar Cesário Verde, citado muitas vezes nos poemas de Caeiro por seu interesse pela natureza, pelo verso livre e pela linguagem simples e familiar. Apresenta-se como um simples "guardador de rebanhos" que só se importa em ver de forma objectiva e natural a realidade. É um poeta de completa simplicidade, e considera que a sensação é a única realidade.
    Dos principais heterônimos de Fernando Pessoa, Caeiro foi o único a não escrever em prosa. Alegava que somente a poesia seria capaz de dar conta da realidade.
    Possuía uma linguagem estética direta, concreta e simples mas, ainda assim, bastante complexa do ponto de vista reflexivo. O seu ideário resume-se no verso Há metafísica bastante em não pensar em nada
    Fernando Pessoa formulou 3 princípios do sensacionismo:
    •Todo objecto é uma sensação nossa;
    •Toda a arte é a convenção de uma sensação em objecto;
    •Portanto, toda arte é a convenção de uma sensação numa outra sensação.
    E Caeiro foi o heterónimo que melhor interpretou esta tese, pois só lhe interessava vivenciar o mundo que captava pelas sensações, recusando o pensamento metafísico.
    Alberto Caeiro duvida da existência de uma alma no ser humano, quando diz "Creio mais no meu corpo do que na minha alma..."
    Caeiro é um poeta materialista, visto que crê que o mundo exterior é mais certo do que o mundo interior.
    Simples, Caeiro parte do zero, quando regressa a um primitivismo do conhecimento da natureza. Mestre de Ricardo Reis e Álvaro de Campos, a eles ensinou a filosofia do não filosofar, a aprendizagem do desaprender. Compôs uma poética da contemplação, hiperbólica, de linguagem espontânea, discursiva, e prosaica, por extirpar do texto, ao máximo, a conotação tradicional. Considerando o mais contraditório dos heterónimos, atinge o poético pelo apoético, ou seja, conota quando denota, já que usa o inusitado.
    Este heterónimo pessoano, diante da possibilidade de se infelicitar com o sol, os prados e as flores que contentam com sua grandeza, procura minimizá-los, comparando-os com eles próprios. Nessa redução do mundo, fica mais latente o "nada". Daí ser ele o heterónimo que nada quer. Mesmo assim, enquanto tenta provar que não intelectualiza nada, é que mais intelectualiza entre as personalidades pessoanas, parece usar o raciocínio sem querer demonstrar isso. Daí ser o mais infeliz, por restringir o mundo, além de fugir do progresso e a ele renunciar.
    Caeiro faz uma poesia da natureza, uma poesia dos sentidos, das sensações puras e simples. Foi por isso que procurou, na serra, sentir as coisas simples da vida com maior intensidade.
    Sendo o mais intelectualizado entre as personalidades pessoanas, Caeiro foi o que menos se preocupou com o trabalho formal do poema. Daí o comentário crítico do seu discípulo Ricardo Reis:
    "Falta nos poemas de Caeiro
    aquilo que deveria completá-los a disciplina exterior.
    Não subordinou a expressão
    a uma disciplina comparável àquela a que subordinou,
    quase sempre, a emoção e sempre, a ideia."

    Como afirma Reis, Caeiro, sem muitas preocupações formais, foi o filósofo das personalidades pessoanas. Mesmo o tempo todo não querendo nada e trabalhando o lado mais simples da linguagem, a denotação, conseguiu, de maneira surpreendente, elaborar um inusitado monumento poético.
    A sua obra está agrupada na coletânea Poemas Completos de Alberto Caeiro.

    Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=79123#ixzz1uuI1uiCW

    A Noite Desce
     A noite desce, o calor soçobra um pouco,
    Estou lúcido como se nunca tivesse pensado
    E tivesse raiz, ligação direta com a terra
    Não esta espécie de ligação de sentido secundário observado à noite.
    À noite quando me separo das cousas,
    E m'aproximo das estrelas ou constelações distantes —
    Erro: porque o distante não é o próximo,
    E aproximá-lo é enganar-me.

    Ricardo Reis

           Para o nascimento de Ricardo Reis, quer na mente do poeta, quer na sua “vida real”, Fernando Pessoa estabelece datas distintas. Primeiro afirma, de acordo com o texto de Páginas Íntimas e de Auto- Interpretação (p.385) que este nasce no seu espírito no dia 29 de Janeiro de 1914: «O Dr. Ricardo Reis nasceu dentro da minha alma no dia 29 de Janeiro de 1914, pelas 11 horas da noite. Eu estivera ouvindo no dia anterior uma discussão extensa sobre os excessos, especialmente de realização, da arte moderna. Segundo o meu processo de sentir as cousas sem as sentir, fui-me deixando ir na onda dessa reacção momentânea. Quando reparei em que estava pensando, vi que tinha erguido uma teoria neoclássica, que se ia desenvolvendo.». Mais tarde, numa carta a Adolfo Casais Monteiro datada de 13 de janeiro de 1935, altera a data deste nascimento afirmando que Ricardo Reis nascera no seu espírito em 1912. Fernando Pessoa considera que este heterónimo foi o primeiro a revelar-se-lhe, ainda que não tenha sido o primeiro a iniciar a sua actividade literária. Se Ricardo Reis está latente desde o ano de 1912, a julgar pela carta mencionada, é só em Março de 1914 que o autor das Odes inicia a sua produção, desde então continuada e intensa, e sempre coerente e inalterável, até 13 de Dezembro de 1933. Também no que respeita à biografia de Ricardo Reis, Fernando Pessoa apresenta dados distintos. No horóscopo que dele fez, situa o seu nascimento em 19 de Setembro de 1887 em Lisboa às 4.05 da tarde. Na referida carta a Adolfo Casais Monteiro altera a cidade natal de Ricardo Reis de Lisboa para o Porto.
          Médico de profissão, monárquico, facto que o levou a viver emigrado alguns anos no Brasil, educado num colégio de jesuítas, recebeu, pois, uma formação clássica e latinista e foi imbuído de princípios conservadores, elementos que são transportados para a sua concepção poética. Domina a forma dos poetas latinos e proclama a disciplina na construção poética. Ricardo Reis é marcado por uma profunda simplicidade da concepção da vida, por uma intensa serenidade na aceitação da relatividade de todas as coisas. É o heterónimo que mais se aproxima do criador, quer no aspecto físico - é moreno, de estatura média, anda meio curvado, é magro e tem aparência de judeu português (Fernando Pessoa tinha ascendência israelita)- quer na maneira de ser e no pensamento. É adepto do sensacionismo, que herda do mestre Caeiro, mas ao aproximá-lo do neoclassicismo manifesta-o, pois, num plano distinto como refere Fernando Pessoa em Páginas Íntimas e Auto Interpretação, (p.350):

    «Caeiro tem uma disciplina: as coisas devem ser sentidas tais como são. Ricardo Reis tem outra disciplina diferente: as coisas devem ser sentidas, não só como são, mas também de modo a integrarem-se num certo ideal de medida e regras clássicas.».

    "Não canto"

    Não canto a noite porque no meu canto
    O sol que canto acabara em noite.
    Não ignoro o que esqueço.
    Canto por esquecê-lo.

    Pudesse eu suspender, inda que em sonho,
    O Apolíneo curso, e conhecer-me,
    Inda que louco, gêmeo
    De uma hora imperecíve!

    Álvaro de Campos

    Álvaro de Campos (1890 - 1935) é um dos mais conhecidos heterónimos de Fernando Pessoa. Foi descrito biograficamente por Pessoa: "Nasceu em Tavira, teve uma educação vulgar de Liceu; depois foi mandado para a Escócia estudar engenharia, primeiro mecânica e depois naval. Numas férias fez a viagem ao Oriente de onde resultou o Opiário. Agora está aqui em Lisboa em inactividade."

    Vanguardista e cosmopolita, refletindo nos poemas em que exalta, em tom futurista, a civilização moderna e os valores do progresso. Um estilo torrencial, amplo, delirante e até violento, a civilização industrial e mecânica, como expressa o desencanto do quotidiano citadino, adotando sempre o ponto de vista do homem da cidade.

    Campos procura incessantemente sentir tudo de todas as maneiras, seja a força explosiva dos mecanismos, a velocidade, seja o próprio desejo de partir.

    "Todas as Cartas de Amor são Ridículas
    Álvaro de Campos

    Todas as cartas de amor são
    Ridículas.
    Não seriam cartas de amor se não fossem
    Ridículas.
    Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
    Como as outras,
    Ridículas.

    As cartas de amor, se há amor,
    Têm de ser
    Ridículas.

    Mas, afinal,
    Só as criaturas que nunca escreveram
    Cartas de amor
    É que são
    Ridículas.

    Quem me dera no tempo em que escrevia
    Sem dar por isso
    Cartas de amor
    Ridículas.

    A verdade é que hoje
    As minhas memórias
    Dessas cartas de amor
    É que são
    Ridículas.

    (Todas as palavras esdrúxulas,
    Como os sentimentos esdrúxulos,
    São naturalmente
    Ridículas.)"

    e o meu preferido: Tabacaria

    "Não sou nada.
    Nunca serei nada.
    Não posso querer ser nada.
    À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
    (...)"

    Carta de Fernando Pessoa a Adolfo Casais Monteiro

    "Lisboa, 13 de Janeiro de 1935
    Meu prezado Camarada:
    Muito agradeço a sua carta, a que vou responder imediata e integralmente. Antes de, propriamente, começar, quero pedir-lhe desculpa de lhe escrever neste papel de cópia. Acabou-se-me o decente, é domingo, e não posso arranjar outro. Mas mais vale, creio, o mau papel que o adiamento.
    (...)"

    Aproveitem!

    http://www.pessoa.art.br/?p=24

    Fernando Pessoa

    “O poeta é um fingidor. / Finge tão completamente/ que chega a fingir que é dor. / A dor que deveras sente.” Estes são os primeiros versos do poema Autopsicografia de Fernando Pessoa.

    Fernando Pessoa nasceu em 13 de junho de 1888, fica órfão de pai aos 5 anos de idade, em 1896 muda-se para Durban, África do Sul, levado pela mãe e padastro. Durante os estudos secundário recebe forte influência da literatura inglesa e se apaixona pela arte das letras.
    Em contato com a língua portuguesa torna-se um admirador do Padre Antonio Vieira e de Cesário Verde. Fernando Pessoa trabalhou como tradutor de cartas comerciais desde 1908, trabalho no qual se sustentou a vida inteira, sem nunca ter alcançado grande fama em vida como poeta.
    Alberto Caeiro, Álvaro Campos e Ricardo Reis foram pseudônimos usados pelo poeta em suas obras poéticas. Assinou o nome Alberto Caeiro no livro “O Guardador de Rebanhos”.
    Em vida, as obras “Os poemas em Inglês” e “Mensagens” foram os únicos publicados em seu próprio nome. O livro “Mensagem” foi publicado com dinheiro emprestado, em 1934, obra que o levou a receber o prêmio na categoria B de “Antero de Quental”. Sendo o único livro publicado em língua portuguesa pelo autor.
    Vinte anos antes, em 1915, havia fundado em parceria com Mário de Sá Carneiro, Almada Negreiros e Luís de Montalvor, a revista Orpheu, que nesta fase lhe rendeu certa notoriedade e é considerada o marco inicial do Modernismo em Portugal.
    Os pseudônimos de Fernando Pessoa são considerados heterônimos, ou seja, uma espécie de “pseudônimo-personagem” com opinião e personalidade própria. Fernando Pessoa morreu no dia 30 de novembro de 1935, após uma cirrose hepática.

    quinta-feira, 26 de abril de 2012

    Medida Nova

    Encontrei um texto na internet que fala muito bem sobre medida nova e as novas nomenclaturas!

    Variedade métrica que consiste em versos decassilábicos heroicos (acentuados nas 6.ª e 10.ª sílabas). Própria da escola clássica introduzida em Portugal por de Miranda (que lidou em Itália com a obra do seu criador italiano - Petrarca), este metro permite hipóteses de expressão mais variadas, na medida em que, "sendo mais longo e admitindo uma maior variedade de acentos facultativos e de pausas", torna-se mais flexível, dando maior liberdade criativa ao poeta. Por outro lado, e conforme Jacinto Prado Coelho, in Dicionário de Literatura, "adapta-se a uma poesia mais individualizada, a uma maior variedade de tom e de tema".
    Foi utilizado em novos subgéneros de origem greco-latina ou italiana: a écloga, a elegia, a ode, a epístola, o epitalâmio, o epigrama, o soneto, a canção e a sextina. Para além destes subgéneros líricos, a medida nova foi também utilizada na epopeia Os Lusíadas e na tragédia.
    A medida nova pressupõe um novo conceito de poesia, segundo o qual o poeta, pretendendo diferenciar-se do "trovador", não se assume como um mero artífice do verso. Quer ser muito mais que isso. Vendo a poesia como um "ser" que tem uma função doutrinária e edificante, o poeta humanista considera-se detentor de uma vocação e de um destino capaz de revelar "o mundo íntimo do amor" e de determinar o "caminho glorioso" dos homens grandes do mundo.
    Manifestando-se na lírica peninsular na primeira metade do século XV, o petrarquismo, enquanto forma nova de expressar o amor, surge recorrentemente nos cancioneiros castelhanos do século XV e nos poetas do Cancioneiro Geral. Contudo, e embora se conheçam os sonetos muito anteriores do marquês de Santillana escritos "al itálico modo" e a obra de Francisco Imperial em metros do novo estilo, o petrarquismo criou verdadeiras raízes na península, no século XVI, com Juan Boscán e Garcilaso de la Veja.