segunda-feira, 26 de março de 2012

Analise de Memórias de um Sargento de Milícias

O romance de Manuel Antônio de Almeida, escrito no período do romantismo,
retrata a vida do Rio de Janeiro no início do século XIX e desenvolve pela primeira
vez na literatura nacional a figura do malandro


Memórias de um Sargento de Milícias surgiu como um romance de folhetim, ou seja,
em capítulos, publicados semanalmente no jornal Correio Mercantil, do Rio de Janeiro,
entre junho de 1852 e julho de 1853. Os folhetins não indicavam quem era o autor.
A história saiu em livro em 1854 (primeiro volume) e 1855 (segundo volume), com
autoria creditada a “Um Brasileiro”. O nome de Manuel Antônio de Almeida aparecerá
apenas na terceira edição, já póstuma, em 1863.

ENREDO:

Por ser originariamente um folhetim, publicado semanalmente, o enredo necessitava
prender a atenção do leitor, com capítulos curtos e até certo ponto independentes, em
geral contendo um episódio completo. A trama, por isso, é complexa, formada de
histórias que se sucedem e nem sempre se relacionam por causa e efeito.
“Filho de uma pisadela e de um beliscão” (referência à maneira como seus pais
flertaram, ao se conhecer no navio que os conduz de Portugal ao Brasil), o pequeno
Leonardo é uma criança intratável, que parece prever as dificuldades que irá enfrentar.
E não são poucas: abandonado pela mãe, que foge para Portugal com um capitão de
navio, é igualmente abandonado pelo pai, mas encontra no padrinho seu protetor. Esse é
dono de uma barbearia e tem guardada boa soma em dinheiro.
A origem pouco digna desse capital – o barbeiro desviou a herança que um capitão
moribundo deixara à sobrinha – só será revelada posteriormente. A fórmula “arranjei-
me” sintetiza, no romance, a explicação dada pelo barbeiro para a posse do dinheiro.
O autor acaba por dizer que muitos “arranjei-me”, equivalentes ao atual “jeitinho
brasileiro”, se explicam assim, e estende essa representação de sua história a toda a
sociedade da época.
As aventuras e desventuras de Leonardo, que o autor faz desfilar diante dos leitores com
dinamismo, conduzem o protagonista a apuros dos quais ele sempre se salva, graças
a seus protetores. Leonardo é um personagem fixo no romance, suas características
básicas não mudam.

TEMPO:
A história se passa no começo do século XIX, ocasião em que a família real portuguesa
se refugiou no Brasil. Por isso, o romance tem início com a expressão “Era no tempo do
rei”, referindo-se ao rei português dom João VI. Essa fórmula também faz referência –
e isso é mais relevante para entender a estrutura do romance – aos inícios dos contos de
fada: “Era uma vez...”

NARRADOR:
Apesar do título de “memórias”, o romance não é narrado pelo personagem Leonardo, e
sim por um narrador onisciente em terceira pessoa, que tece comentários e digressões no
desenrolar dos acontecimentos. O termo “memórias” refere-se à evocação de um tempo
passado, reconstruído por meio das histórias por que passa o personagem Leonardo.

ORDEM E DESORDEM:
Duas forças de tensão movem os personagens do romance: ordem e desordem, que se
revelarão características profundas da sociedade colonial de então.
A figura do major Vidigal representa o polo que, na história, cuida da ordem: “O major
Vidigal era o rei absoluto, o árbitro supremo de tudo que dizia respeito a esse ramo de
administração; era o juiz que dava e distribuía penas e, ao mesmo tempo, o guarda que
dava caça aos criminosos; nas causas da sua justiça não havia testemunhas, nem provas,
nem razões, nem processos; ele resumia tudo em si (...)”.
A estabilidade social representa a ordem, enquanto a instabilidade se refere à desordem.
Dessa forma, o barbeiro, completamente adequado à sociedade, ao revelar as origens
pouco recomendáveis de sua estabilidade financeira, evoca no seu passado a desordem.
Personagens como o major Vidigal, a comadre, dona Maria e o compadre pertencem ao
lado da ordem. Mas os personagens desse polo nada têm de retidão, apenas estão em
uma situação social mais estável.
O polo da desordem é formado pelo malandro Teotônio, o sacristão da Sé e Vidinha.
A acomodação dos personagens, tanto na ordem como na desordem, está sujeita a uma
mudança repentina de polo, ou seja, não existe quem esteja totalmente situado no campo
da ordem nem no da desordem. Não há, portanto, uma caracterização maniqueísta dos
tipos apresentados.
O major Vidigal, por exemplo, um típico mantenedor da ordem, transgride o código
moral ao libertar e promover Leonardo em troca dos favores amorosos de Maria
Regalada.


Mais informações nos links a seguir:

http://www.algosobre.com.br/resumos-literarios/memorias-de-um-sargento-de-milicias.html

http://guiadoestudante.abril.com.br/estude/literatura/materia_413967.shtml

http://www.infoescola.com/livros/memorias-de-um-sargento-de-milicias/


Bom, o trabalho já passou, mas serve para estudos para a prova!
Grande abraço, qualquer coisa só me procurar!

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