Cleonice Berardinelli
http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=668
quinta-feira, 24 de maio de 2012
terça-feira, 22 de maio de 2012
Escola da Ponte, uma ideia que deu certo.
Bom, não sei se interessa, mas esse pequeno documentário é sobre uma das melhores escolas do mundo, a Escola da Ponte, em Portugal. A qual forma os melhores nos exames nacionais.
Obviamente, não poderemos trazer tudo o que se passa lá, para dentro de nossas salas de aula, mas poderemos nortear a nossa prática no futuro e analisar os melhores caminhos para os melhores resultados!
Grande abraço.
Obviamente, não poderemos trazer tudo o que se passa lá, para dentro de nossas salas de aula, mas poderemos nortear a nossa prática no futuro e analisar os melhores caminhos para os melhores resultados!
Grande abraço.
sábado, 19 de maio de 2012
Verbos Modais - Modal Verbs
Os verbos modais (modal verbs) são um tipo especial de verbos auxiliares que alteram ou completam o sentido do verbo principal. De um modo geral, estes verbos expressam idéias como capacidade, possibilidade, obrigação, permissão, proibição, dedução, suposição, pedido, vontade, desejo ou, ainda, indicam o tom da conversa (formal / informal). Os verbos modais (modal verbs) podem ser chamados também de modal auxiliaries ou apenas modals. São eles:
| can - could - may - might - must - shall - will - should - ought to - would |
No geral, poderíamos dizer que a maioria dos modals equivale a poder e dever. Em Português, tanto um quanto outro podem expressar situações diversas. Em Inglês, porém, para cada situação há um modal mais adequado.
Observe alguns exemplos de ideias que os verbos modais podem expressar:
May I use your umbrella? (Permissão)
(Posso usar seu guarda-chuva?)
(Posso usar seu guarda-chuva?)
He may be in the library. (Possibilidade)
(Ele pode estar na biblioteca.)
(Ele pode estar na biblioteca.)
Sorry, I can not understand what you are saying. (Capacidade)
(Desculpa, não consigo entender o que você está dizendo.)
(Desculpa, não consigo entender o que você está dizendo.)
The students must behave as I say. (Obrigação)
(Os alunos devem se comportar como eu digo.)
(Os alunos devem se comportar como eu digo.)
She must be very busy, since she has three children, a job and a house to take care. (Suposição)
(Ela deve ser muito ocupada, já que tem três filhos, um emprego e uma casa para cuidar.)
(Ela deve ser muito ocupada, já que tem três filhos, um emprego e uma casa para cuidar.)
Shall we go for a drink after work? (Convite)
(Vamos tomar um drinque depois do trabalho?)
(Vamos tomar um drinque depois do trabalho?)
Can I leave now? (Permissão - Tom informal)
(Posso sair agora?)
(Posso sair agora?)
Could I leave now? (Permissão - Tom formal)
(Eu poderia sair agora?)
(Eu poderia sair agora?)
It is late, you should go home. (Conselho)
(É tarde, você devia ir para casa.)
(É tarde, você devia ir para casa.)
She can arrive after dinner. (Possibilidade)
(Ela pode chegar depois do jantar.)
(Ela pode chegar depois do jantar.)
She must be at the beauty salon. (Dedução)
(Ela deve estar no salão de beleza.)
(Ela deve estar no salão de beleza.)
You should see a dentist. (Conselho)
(Você devia ir a um dentista.)
(Você devia ir a um dentista.)
Características gerais dos verbos modais:
1. são precedidos pela partícula to (indicação de infinitivo) nem seguidos por ela, com exceção de ought to:
She can play the violin. (Ela sabe tocar violino.)
You must do the next tasks.
(Você deve fazer as próximas tarefas.)
He might come here tomorrow.
(Ele deve vir aqui amanhã. / Pode ser que / Talvez ele venha aqui amanhã.)
You should see a doctor. You are always complaining about headaches.
(Você devia ir ao médico, pois está sempre reclamando de dores de cabeça.)
2. Não necessitam de outros verbos auxiliares para as formas interrogativas e negativas, já que eles próprios são auxiliares:
I can ski; she can ski; he can ski; we can ski; they can ski.
4. Podem ser acompanhados pelo auxiliar be, frequentemente seguido de gerúndio, expressando tempo presente ou futuro, ou pelo auxiliar have seguido de particípio, expressando tempo passado:
She can play the violin. (Ela sabe tocar violino.)
You must do the next tasks.
(Você deve fazer as próximas tarefas.)
He might come here tomorrow.
(Ele deve vir aqui amanhã. / Pode ser que / Talvez ele venha aqui amanhã.)
You should see a doctor. You are always complaining about headaches.
(Você devia ir ao médico, pois está sempre reclamando de dores de cabeça.)
2. Não necessitam de outros verbos auxiliares para as formas interrogativas e negativas, já que eles próprios são auxiliares:
May I come in? (Posso entrar?)
Could you do me a favor? (Você poderia me fazer um favor?)
I could not finish my homework yesterday night. (Não consegui terminar minha lição ontem à noite.)
He can not come. (Ele não pode vir.)
3. Os verbos modais nunca são flexionados, ou seja, possuem a mesma forma para todos os sujeitos; também não podem ser usados nos Progressive / Continuous Tenses e não formam passado com -ed:
It must be late. (Deve ser tarde.)
She must be late. (Ela deve estar atrasada.)
4. Podem ser acompanhados pelo auxiliar be, frequentemente seguido de gerúndio, expressando tempo presente ou futuro, ou pelo auxiliar have seguido de particípio, expressando tempo passado:
He may be studying now. (Ele deve estar estudando agora.)
Take your umbrella. It may be raining when you leave your job.
(Leve seu guarda-chuva. Pode estar chovendo quando você sair do trabalho.)
(Leve seu guarda-chuva. Pode estar chovendo quando você sair do trabalho.)
Albert may have seen the movie already. (Alberto já deve ter visto o filme.)
She must have changed her mind. (Ela deve ter mudado de ideia.)
You could have told me before. (Você poderia ter me dito antes.)
Do you think she can still be working? It's very late.
(Você acha que ela pode estar trabalhando ainda? É muito tarde.)
(Você acha que ela pode estar trabalhando ainda? É muito tarde.)
| 5. Nas orações negativas acrescenta-se not logo após o verbo modal: I can not stay here. (Não posso ficar aqui.) Passengers must not use their cell phones on board airplane. (Os passageiros não podem usar seus celulares a bordo do avião.) |
You should not talk to your mother loud.
(Você não deveria falar alto com a sua mãe.)
(Você não deveria falar alto com a sua mãe.)
I could not speak English before going to England.
(Eu não sabia falar Inglês antes de ir para Inglaterra.)
(Eu não sabia falar Inglês antes de ir para Inglaterra.)
It may not rain tonight. (Pode ser que não chove esta noite.)
- FORMAS NEGATIVAS DOS VERBOS MODAIS:
No quadro abaixo apresentamos as formas negativas dos verbos modais, bem como suas formas negativas contraídas:
VERBOS MODAIS
|
FORMA NEGATIVA
|
FORMA NEGATIVA CONTRAÍDA
|
| Can | Cannot | Can't |
| May | May not | ---x--- |
| Must | Must not | Mustn't |
| Shall | Shall not | Shan't |
| Will | Will not | Won't |
| Could | Could not | Couldn't |
| Might | Might not | Mightn't |
| Ought to | Ought not to | Oughtn't to |
| Should | Should not | Shouldn't |
| Would | Would not | Wouldn't |
OBSERVAÇÕES:
a. O negativo de can é cannot (sem separar can de not), no entanto, a forma negativa mais comum de can é a contraída can't.
b. Não há forma contraída para may not.
c. A forma interrogativa se faz colocando o verbo modal antes do sujeito, à semelhança dos demais auxiliares.
Biografia completa de Fernando Pessoa
[1888]
Junho - No dia 13, nasce
Fernando António Nogueira Pessoa, às 15:22pm (hora aproximada). É portanto do
signo de Gémeos. O parto ocorre no quarto andar esquerdo do n.º 4 do Largo de
São Carlos em Lisboa. Os seus pais são Maria Magdalena Pinheiro Nogueira,
natural da Ilha Terceira, Açores, de vinte e seis anos e Joaquim de Seabra
Pessoa, natural de Lisboa, de trinta e oito anos, funcionário público do
Ministério da Justiça e crítico musical do "Diário de Notícias". Vivem com eles
a avó Dionísia, doente mental e duas criadas velhas, Joana e Emília.
Julho - Fernando Pessoa é baptizado no dia 21 na Igreja dos Mártires, no Chiado, em Lisboa. Os seus padrinhos são a sua Tia Anica (D. Ana Luísa Pinheiro Nogueira, sua tia materna) e o General Chaby. A razão porque lhe é dado o nome de Fernando António está relacionada com dois factores: 1º O dia do seu nascimento, dia 13 de Junho, é dia tradicionalmente consagrado a Santo António na cidade de Lisboa. 2º Os Pessoas reclamavam uma ligação genealógica a Fernando de Bulhões, que viria a ser companheiro de São Francisco de Assis com o nome de Frei António.
Como o texto é completíssimo, eu não poderia postá-lo no blog por cauda do seu tamanho, nessa maneira, no link abaixo segue a continuaçãoJulho - Fernando Pessoa é baptizado no dia 21 na Igreja dos Mártires, no Chiado, em Lisboa. Os seus padrinhos são a sua Tia Anica (D. Ana Luísa Pinheiro Nogueira, sua tia materna) e o General Chaby. A razão porque lhe é dado o nome de Fernando António está relacionada com dois factores: 1º O dia do seu nascimento, dia 13 de Junho, é dia tradicionalmente consagrado a Santo António na cidade de Lisboa. 2º Os Pessoas reclamavam uma ligação genealógica a Fernando de Bulhões, que viria a ser companheiro de São Francisco de Assis com o nome de Frei António.
http://www.umfernandopessoa.com/biografia-completa.htm
Flagrante Delitro
A cena teve lugar em 1929, na loja de Abel Pereira da Fonseca e foi enviada a Ofélia,sua ex namorada, que após receber essa foto reata o romance. No verso a legenda, em que escreveu «em flagrante delitro», mostra um sentido de humor inusitado e surpreendente.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Alberto Caeiro
Alberto Caeiro da Silva nasceu em Lisboa, em 16 Abril de 1889, e na mesma cidade faleceu, de tuberculose, em 1915.
Alberto Caeiro é considerado o mestre dos heterónimos de Fernando Pessoa, apesar da sua pouca instrução.
Segundo o seu criador "Nasceu em Lisboa, mas viveu quase toda a sua vida no campo. Não teve profissão, nem educação quase alguma, só instrução primária; morreram-lhe cedo o pai e a mãe, e deixou-se ficar em casa, vivendo de uns pequenos rendimentos. Vivia com uma tia velha, tia avó."
Pessoa criou uma biografia para Caeiro que se encaixa com perfeição à sua poesia. Caeiro escrevia com a linguagem simples e o vocabulário limitado de um poeta camponês pouco ilustrado. Pratica o realismo sensorial, numa atitude de rejeição às elucubrações da poesia simbolista
Foi um poeta ligado à natureza, que despreza e repreende qualquer tipo de pensamento filosófico, afirmando que pensar obstrui a visão ("pensar é estar doente dos olhos"). Proclama-se assim um anti-metafísico. Afirma que, ao pensar, entramos num mundo complexo e problemático onde tudo é incerto e obscuro. À superfície é fácil reconhecê-lo pela sua objectividade visual, que faz lembrar Cesário Verde, citado muitas vezes nos poemas de Caeiro por seu interesse pela natureza, pelo verso livre e pela linguagem simples e familiar. Apresenta-se como um simples "guardador de rebanhos" que só se importa em ver de forma objectiva e natural a realidade. É um poeta de completa simplicidade, e considera que a sensação é a única realidade.
Dos principais heterônimos de Fernando Pessoa, Caeiro foi o único a não escrever em prosa. Alegava que somente a poesia seria capaz de dar conta da realidade.
Possuía uma linguagem estética direta, concreta e simples mas, ainda assim, bastante complexa do ponto de vista reflexivo. O seu ideário resume-se no verso Há metafísica bastante em não pensar em nada
Fernando Pessoa formulou 3 princípios do sensacionismo:
•Todo objecto é uma sensação nossa;
•Toda a arte é a convenção de uma sensação em objecto;
•Portanto, toda arte é a convenção de uma sensação numa outra sensação.
E Caeiro foi o heterónimo que melhor interpretou esta tese, pois só lhe interessava vivenciar o mundo que captava pelas sensações, recusando o pensamento metafísico.
Alberto Caeiro duvida da existência de uma alma no ser humano, quando diz "Creio mais no meu corpo do que na minha alma..."
Caeiro é um poeta materialista, visto que crê que o mundo exterior é mais certo do que o mundo interior.
Simples, Caeiro parte do zero, quando regressa a um primitivismo do conhecimento da natureza. Mestre de Ricardo Reis e Álvaro de Campos, a eles ensinou a filosofia do não filosofar, a aprendizagem do desaprender. Compôs uma poética da contemplação, hiperbólica, de linguagem espontânea, discursiva, e prosaica, por extirpar do texto, ao máximo, a conotação tradicional. Considerando o mais contraditório dos heterónimos, atinge o poético pelo apoético, ou seja, conota quando denota, já que usa o inusitado.
Este heterónimo pessoano, diante da possibilidade de se infelicitar com o sol, os prados e as flores que contentam com sua grandeza, procura minimizá-los, comparando-os com eles próprios. Nessa redução do mundo, fica mais latente o "nada". Daí ser ele o heterónimo que nada quer. Mesmo assim, enquanto tenta provar que não intelectualiza nada, é que mais intelectualiza entre as personalidades pessoanas, parece usar o raciocínio sem querer demonstrar isso. Daí ser o mais infeliz, por restringir o mundo, além de fugir do progresso e a ele renunciar.
Caeiro faz uma poesia da natureza, uma poesia dos sentidos, das sensações puras e simples. Foi por isso que procurou, na serra, sentir as coisas simples da vida com maior intensidade.
Sendo o mais intelectualizado entre as personalidades pessoanas, Caeiro foi o que menos se preocupou com o trabalho formal do poema. Daí o comentário crítico do seu discípulo Ricardo Reis:
"Falta nos poemas de Caeiro
aquilo que deveria completá-los a disciplina exterior.
Não subordinou a expressão
a uma disciplina comparável àquela a que subordinou,
quase sempre, a emoção e sempre, a ideia."
Como afirma Reis, Caeiro, sem muitas preocupações formais, foi o filósofo das personalidades pessoanas. Mesmo o tempo todo não querendo nada e trabalhando o lado mais simples da linguagem, a denotação, conseguiu, de maneira surpreendente, elaborar um inusitado monumento poético.
A sua obra está agrupada na coletânea Poemas Completos de Alberto Caeiro.
Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=79123#ixzz1uuI1uiCW
Estou lúcido como se nunca tivesse pensado
E tivesse raiz, ligação direta com a terra
Não esta espécie de ligação de sentido secundário observado à noite.
À noite quando me separo das cousas,
E m'aproximo das estrelas ou constelações distantes —
Erro: porque o distante não é o próximo,
E aproximá-lo é enganar-me.
Alberto Caeiro é considerado o mestre dos heterónimos de Fernando Pessoa, apesar da sua pouca instrução.
Segundo o seu criador "Nasceu em Lisboa, mas viveu quase toda a sua vida no campo. Não teve profissão, nem educação quase alguma, só instrução primária; morreram-lhe cedo o pai e a mãe, e deixou-se ficar em casa, vivendo de uns pequenos rendimentos. Vivia com uma tia velha, tia avó."
Pessoa criou uma biografia para Caeiro que se encaixa com perfeição à sua poesia. Caeiro escrevia com a linguagem simples e o vocabulário limitado de um poeta camponês pouco ilustrado. Pratica o realismo sensorial, numa atitude de rejeição às elucubrações da poesia simbolista
Foi um poeta ligado à natureza, que despreza e repreende qualquer tipo de pensamento filosófico, afirmando que pensar obstrui a visão ("pensar é estar doente dos olhos"). Proclama-se assim um anti-metafísico. Afirma que, ao pensar, entramos num mundo complexo e problemático onde tudo é incerto e obscuro. À superfície é fácil reconhecê-lo pela sua objectividade visual, que faz lembrar Cesário Verde, citado muitas vezes nos poemas de Caeiro por seu interesse pela natureza, pelo verso livre e pela linguagem simples e familiar. Apresenta-se como um simples "guardador de rebanhos" que só se importa em ver de forma objectiva e natural a realidade. É um poeta de completa simplicidade, e considera que a sensação é a única realidade.
Dos principais heterônimos de Fernando Pessoa, Caeiro foi o único a não escrever em prosa. Alegava que somente a poesia seria capaz de dar conta da realidade.
Possuía uma linguagem estética direta, concreta e simples mas, ainda assim, bastante complexa do ponto de vista reflexivo. O seu ideário resume-se no verso Há metafísica bastante em não pensar em nada
Fernando Pessoa formulou 3 princípios do sensacionismo:
•Todo objecto é uma sensação nossa;
•Toda a arte é a convenção de uma sensação em objecto;
•Portanto, toda arte é a convenção de uma sensação numa outra sensação.
E Caeiro foi o heterónimo que melhor interpretou esta tese, pois só lhe interessava vivenciar o mundo que captava pelas sensações, recusando o pensamento metafísico.
Alberto Caeiro duvida da existência de uma alma no ser humano, quando diz "Creio mais no meu corpo do que na minha alma..."
Caeiro é um poeta materialista, visto que crê que o mundo exterior é mais certo do que o mundo interior.
Simples, Caeiro parte do zero, quando regressa a um primitivismo do conhecimento da natureza. Mestre de Ricardo Reis e Álvaro de Campos, a eles ensinou a filosofia do não filosofar, a aprendizagem do desaprender. Compôs uma poética da contemplação, hiperbólica, de linguagem espontânea, discursiva, e prosaica, por extirpar do texto, ao máximo, a conotação tradicional. Considerando o mais contraditório dos heterónimos, atinge o poético pelo apoético, ou seja, conota quando denota, já que usa o inusitado.
Este heterónimo pessoano, diante da possibilidade de se infelicitar com o sol, os prados e as flores que contentam com sua grandeza, procura minimizá-los, comparando-os com eles próprios. Nessa redução do mundo, fica mais latente o "nada". Daí ser ele o heterónimo que nada quer. Mesmo assim, enquanto tenta provar que não intelectualiza nada, é que mais intelectualiza entre as personalidades pessoanas, parece usar o raciocínio sem querer demonstrar isso. Daí ser o mais infeliz, por restringir o mundo, além de fugir do progresso e a ele renunciar.
Caeiro faz uma poesia da natureza, uma poesia dos sentidos, das sensações puras e simples. Foi por isso que procurou, na serra, sentir as coisas simples da vida com maior intensidade.
Sendo o mais intelectualizado entre as personalidades pessoanas, Caeiro foi o que menos se preocupou com o trabalho formal do poema. Daí o comentário crítico do seu discípulo Ricardo Reis:
"Falta nos poemas de Caeiro
aquilo que deveria completá-los a disciplina exterior.
Não subordinou a expressão
a uma disciplina comparável àquela a que subordinou,
quase sempre, a emoção e sempre, a ideia."
Como afirma Reis, Caeiro, sem muitas preocupações formais, foi o filósofo das personalidades pessoanas. Mesmo o tempo todo não querendo nada e trabalhando o lado mais simples da linguagem, a denotação, conseguiu, de maneira surpreendente, elaborar um inusitado monumento poético.
A sua obra está agrupada na coletânea Poemas Completos de Alberto Caeiro.
Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=79123#ixzz1uuI1uiCW
A noite desce, o calor soçobra um pouco,A Noite Desce
Estou lúcido como se nunca tivesse pensado
E tivesse raiz, ligação direta com a terra
Não esta espécie de ligação de sentido secundário observado à noite.
À noite quando me separo das cousas,
E m'aproximo das estrelas ou constelações distantes —
Erro: porque o distante não é o próximo,
E aproximá-lo é enganar-me.
Ricardo Reis
Para o nascimento de Ricardo Reis, quer na mente do poeta, quer na sua “vida real”, Fernando Pessoa estabelece datas distintas. Primeiro afirma, de acordo com o texto de Páginas Íntimas e de Auto- Interpretação (p.385) que este nasce no seu espírito no dia 29 de Janeiro de 1914: «O Dr. Ricardo Reis nasceu dentro da minha alma no dia 29 de Janeiro de 1914, pelas 11 horas da noite. Eu estivera ouvindo no dia anterior uma discussão extensa sobre os excessos, especialmente de realização, da arte moderna. Segundo o meu processo de sentir as cousas sem as sentir, fui-me deixando ir na onda dessa reacção momentânea. Quando reparei em que estava pensando, vi que tinha erguido uma teoria neoclássica, que se ia desenvolvendo.». Mais tarde, numa carta a Adolfo Casais Monteiro datada de 13 de janeiro de 1935, altera a data deste nascimento afirmando que Ricardo Reis nascera no seu espírito em 1912. Fernando Pessoa considera que este heterónimo foi o primeiro a revelar-se-lhe, ainda que não tenha sido o primeiro a iniciar a sua actividade literária. Se Ricardo Reis está latente desde o ano de 1912, a julgar pela carta mencionada, é só em Março de 1914 que o autor das Odes inicia a sua produção, desde então continuada e intensa, e sempre coerente e inalterável, até 13 de Dezembro de 1933. Também no que respeita à biografia de Ricardo Reis, Fernando Pessoa apresenta dados distintos. No horóscopo que dele fez, situa o seu nascimento em 19 de Setembro de 1887 em Lisboa às 4.05 da tarde. Na referida carta a Adolfo Casais Monteiro altera a cidade natal de Ricardo Reis de Lisboa para o Porto.
Médico de profissão, monárquico, facto que o levou a viver emigrado alguns anos no Brasil, educado num colégio de jesuítas, recebeu, pois, uma formação clássica e latinista e foi imbuído de princípios conservadores, elementos que são transportados para a sua concepção poética. Domina a forma dos poetas latinos e proclama a disciplina na construção poética. Ricardo Reis é marcado por uma profunda simplicidade da concepção da vida, por uma intensa serenidade na aceitação da relatividade de todas as coisas. É o heterónimo que mais se aproxima do criador, quer no aspecto físico - é moreno, de estatura média, anda meio curvado, é magro e tem aparência de judeu português (Fernando Pessoa tinha ascendência israelita)- quer na maneira de ser e no pensamento. É adepto do sensacionismo, que herda do mestre Caeiro, mas ao aproximá-lo do neoclassicismo manifesta-o, pois, num plano distinto como refere Fernando Pessoa em Páginas Íntimas e Auto Interpretação, (p.350):
«Caeiro tem uma disciplina: as coisas devem ser sentidas tais como são. Ricardo Reis tem outra disciplina diferente: as coisas devem ser sentidas, não só como são, mas também de modo a integrarem-se num certo ideal de medida e regras clássicas.».
«Caeiro tem uma disciplina: as coisas devem ser sentidas tais como são. Ricardo Reis tem outra disciplina diferente: as coisas devem ser sentidas, não só como são, mas também de modo a integrarem-se num certo ideal de medida e regras clássicas.».
"Não canto"
Não canto a noite porque no meu canto
O sol que canto
acabara em noite.
Não ignoro o que esqueço.
Canto por esquecê-lo.
Pudesse eu suspender, inda que em sonho,
O Apolíneo curso, e
conhecer-me,
Inda que louco, gêmeo
De uma hora imperecíve!
Álvaro de Campos
Álvaro de Campos (1890 - 1935) é um dos mais conhecidos heterónimos de Fernando Pessoa. Foi descrito biograficamente por Pessoa: "Nasceu em Tavira, teve uma educação vulgar de Liceu; depois foi mandado para a Escócia estudar engenharia, primeiro mecânica e depois naval. Numas férias fez a viagem ao Oriente de onde resultou o Opiário. Agora está aqui em Lisboa em inactividade."
Vanguardista e cosmopolita, refletindo nos poemas em que exalta, em tom futurista, a civilização moderna e os valores do progresso. Um estilo torrencial, amplo, delirante e até violento, a civilização industrial e mecânica, como expressa o desencanto do quotidiano citadino, adotando sempre o ponto de vista do homem da cidade.
Campos procura incessantemente sentir tudo de todas as maneiras, seja a força explosiva dos mecanismos, a velocidade, seja o próprio desejo de partir.
"Todas as Cartas de Amor são Ridículas
Álvaro de Campos
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)"
e o meu preferido: Tabacaria
"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
(...)"
Vanguardista e cosmopolita, refletindo nos poemas em que exalta, em tom futurista, a civilização moderna e os valores do progresso. Um estilo torrencial, amplo, delirante e até violento, a civilização industrial e mecânica, como expressa o desencanto do quotidiano citadino, adotando sempre o ponto de vista do homem da cidade.
Campos procura incessantemente sentir tudo de todas as maneiras, seja a força explosiva dos mecanismos, a velocidade, seja o próprio desejo de partir.
"Todas as Cartas de Amor são Ridículas
Álvaro de Campos
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)"
e o meu preferido: Tabacaria
"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
(...)"
Carta de Fernando Pessoa a Adolfo Casais Monteiro
"Lisboa, 13 de Janeiro de 1935
Meu prezado Camarada:
Muito agradeço a sua carta, a que vou responder imediata e integralmente. Antes de, propriamente, começar, quero pedir-lhe desculpa de lhe escrever neste papel de cópia. Acabou-se-me o decente, é domingo, e não posso arranjar outro. Mas mais vale, creio, o mau papel que o adiamento.
(...)"
Aproveitem!
http://www.pessoa.art.br/?p=24
Meu prezado Camarada:
Muito agradeço a sua carta, a que vou responder imediata e integralmente. Antes de, propriamente, começar, quero pedir-lhe desculpa de lhe escrever neste papel de cópia. Acabou-se-me o decente, é domingo, e não posso arranjar outro. Mas mais vale, creio, o mau papel que o adiamento.
(...)"
Aproveitem!
http://www.pessoa.art.br/?p=24
Fernando Pessoa
“O poeta é um fingidor. / Finge tão completamente/ que chega a fingir que é dor. / A dor que deveras sente.” Estes são os primeiros versos do poema Autopsicografia de Fernando Pessoa.
Fernando Pessoa nasceu em 13 de junho de 1888, fica órfão de pai aos 5 anos de idade, em 1896 muda-se para Durban, África do Sul, levado pela mãe e padastro. Durante os estudos secundário recebe forte influência da literatura inglesa e se apaixona pela arte das letras.
Em contato com a língua portuguesa torna-se um admirador do Padre Antonio Vieira e de Cesário Verde. Fernando Pessoa trabalhou como tradutor de cartas comerciais desde 1908, trabalho no qual se sustentou a vida inteira, sem nunca ter alcançado grande fama em vida como poeta.
Alberto Caeiro, Álvaro Campos e Ricardo Reis foram pseudônimos usados pelo poeta em suas obras poéticas. Assinou o nome Alberto Caeiro no livro “O Guardador de Rebanhos”.
Em vida, as obras “Os poemas em Inglês” e “Mensagens” foram os únicos publicados em seu próprio nome. O livro “Mensagem” foi publicado com dinheiro emprestado, em 1934, obra que o levou a receber o prêmio na categoria B de “Antero de Quental”. Sendo o único livro publicado em língua portuguesa pelo autor.
Vinte anos antes, em 1915, havia fundado em parceria com Mário de Sá Carneiro, Almada Negreiros e Luís de Montalvor, a revista Orpheu, que nesta fase lhe rendeu certa notoriedade e é considerada o marco inicial do Modernismo em Portugal.
Os pseudônimos de Fernando Pessoa são considerados heterônimos, ou seja, uma espécie de “pseudônimo-personagem” com opinião e personalidade própria. Fernando Pessoa morreu no dia 30 de novembro de 1935, após uma cirrose hepática.
Fernando Pessoa nasceu em 13 de junho de 1888, fica órfão de pai aos 5 anos de idade, em 1896 muda-se para Durban, África do Sul, levado pela mãe e padastro. Durante os estudos secundário recebe forte influência da literatura inglesa e se apaixona pela arte das letras.
Em contato com a língua portuguesa torna-se um admirador do Padre Antonio Vieira e de Cesário Verde. Fernando Pessoa trabalhou como tradutor de cartas comerciais desde 1908, trabalho no qual se sustentou a vida inteira, sem nunca ter alcançado grande fama em vida como poeta.
Alberto Caeiro, Álvaro Campos e Ricardo Reis foram pseudônimos usados pelo poeta em suas obras poéticas. Assinou o nome Alberto Caeiro no livro “O Guardador de Rebanhos”.
Em vida, as obras “Os poemas em Inglês” e “Mensagens” foram os únicos publicados em seu próprio nome. O livro “Mensagem” foi publicado com dinheiro emprestado, em 1934, obra que o levou a receber o prêmio na categoria B de “Antero de Quental”. Sendo o único livro publicado em língua portuguesa pelo autor.
Vinte anos antes, em 1915, havia fundado em parceria com Mário de Sá Carneiro, Almada Negreiros e Luís de Montalvor, a revista Orpheu, que nesta fase lhe rendeu certa notoriedade e é considerada o marco inicial do Modernismo em Portugal.
Os pseudônimos de Fernando Pessoa são considerados heterônimos, ou seja, uma espécie de “pseudônimo-personagem” com opinião e personalidade própria. Fernando Pessoa morreu no dia 30 de novembro de 1935, após uma cirrose hepática.
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