Encontrei um texto na internet que fala muito bem sobre medida nova e as novas nomenclaturas!
Variedade métrica que consiste em versos decassilábicos heroicos (acentuados nas 6.ª e 10.ª sílabas). Própria da escola clássica introduzida em Portugal por Sá de Miranda (que lidou em Itália com a obra do seu criador italiano - Petrarca), este metro permite hipóteses de expressão mais variadas, na medida em que, "sendo mais longo e admitindo uma maior variedade de acentos facultativos e de pausas", torna-se mais flexível, dando maior liberdade criativa ao poeta. Por outro lado, e conforme Jacinto Prado Coelho, in Dicionário de Literatura, "adapta-se a uma poesia mais individualizada, a uma maior variedade de tom e de tema".
Foi utilizado em novos subgéneros de origem greco-latina ou italiana: a écloga, a elegia, a ode, a epístola, o epitalâmio, o epigrama, o soneto, a canção e a sextina. Para além destes subgéneros líricos, a medida nova foi também utilizada na epopeia Os Lusíadas e na tragédia.
A medida nova pressupõe um novo conceito de poesia, segundo o qual o poeta, pretendendo diferenciar-se do "trovador", não se assume como um mero artífice do verso. Quer ser muito mais que isso. Vendo a poesia como um "ser" que tem uma função doutrinária e edificante, o poeta humanista considera-se detentor de uma vocação e de um destino capaz de revelar "o mundo íntimo do amor" e de determinar o "caminho glorioso" dos homens grandes do mundo.
Manifestando-se já na lírica peninsular na primeira metade do século XV, o petrarquismo, enquanto forma nova de expressar o amor, surge recorrentemente nos cancioneiros castelhanos do século XV e nos poetas do Cancioneiro Geral. Contudo, e embora se conheçam os sonetos muito anteriores do marquês de Santillana escritos "al itálico modo" e a obra de Francisco Imperial em metros do novo estilo, o petrarquismo só criou verdadeiras raízes na península, no século XVI, com Juan Boscán e Garcilaso de la Veja.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Capitu, minissérie
http://www.youtube.com/watch?v=X0ZjXHDBatw
Bom, pelo menos por aqui vai dar pra ver o 1º capítulo!!
beijos, aproveitem!
Bom, pelo menos por aqui vai dar pra ver o 1º capítulo!!
beijos, aproveitem!
terça-feira, 17 de abril de 2012
Verbos
Por Sandra Macedo
Verbos são palavras que indicam ações, estados ou fenômenos, situando-os no tempo.
Quanto à estrutura, os verbos são compostos pelo radical (a parte invariável e que normalmente se repete), terminação (a parte que é flexionada) e a vogal temática (que caracteriza a conjugação).
ESTUD- AR ESCREV- ER PART- IR
São três as conjugações em língua portuguesa:
1ª Conjugação: verbos terminados em AR
2ª Conjugação: verbos terminados em ER
3ª Conjugação: verbos terminados em IR
Quanto à morfologia, classificam-se em:
Regulares: quando flexionam-se de acordo com o paradigma da conjugação.
ESTUDAR – eu estudo, tu estudas, ele estuda, nós estudamos…
Irregulares: quando não seguem o paradigma da conjugação.
CABER – eu caibo… MEDIR – eu meço…
Anômalos: quando sofrem modificação também no radical.
IR – eu vou… SER – eu sou…
Defectivos: quando não são conjugados em todas formas.
FALIR – não possui 1ª, 2ª e 3ª pessoa do pres. do indicativo e pres. do subjuntivo.
Abundantes: quando possuem mais de uma forma de conjugação.
ACENDIDO – ACESO, INCLUÍDO – INCLUSO
Flexionam-se em número para concordar com o sujeito/substantivo que acompanham; em pessoa; em tempo; em modo e em voz.
Quanto ao número podem ser: Singular e Plural.
Quanto à pessoa podem ser:
1ª pessoa – a que fala
2ª pessoa – com quem se fala
3ª pessoa – de quem se fala
Flexionam-se em tempo para indicar o momento em que ocorrem os fatos:
O presente é usado para fatos que ocorrem no momento em que se fala, para fatos que ocorrem no dia-a-dia, para fatos que costumam ocorrer com certa freqüência.
Ele escreve para um jornal local.
Eu estudo português quase todos os dias.
Usa-se o pretérito perfeito para indicar fatos passados, observados depois de concluídos.
Ele escreveu para um jornal local sobre Aquecimento Global.
Eu estudei francês o ano passado.
Usa-se o pretérito imperfeito para indicar fatos não concluídos no momento em que se fala como também para falar de fatos que ocorriam com freqüência no passado.
Ele estudava todos os dias e ainda escrevia para um jornal local.
Usa-se o pretérito mais-que-perfeito para indicar fatos passados ocorridos anteriormente a outros fatos passados.
Já escrevera muitos artigos polêmicos, quando ingressou no jornal local.
Usa-se o futuro do presente para falar de fatos ainda não ocorridos, mas que ocorrerão depois que se fala.
Ela estudará muito e será bem sucedida na profissão.
Usa-se o futuro do pretérito para indicar fatos futuros que dependem de outros fatos .
Ela trabalharia menos, se tivesse estudado mais.
Eu estudaria francês, se tivesse mais tempo.
O modo verbal indica de que forma o fato pode se realizar:
Modo Indicativo para fato certo: Eu estudo, Nós escreveremos.
Modo Subjuntivo para fato hipotético, desejo, dúvida: Se eles trabalhassem…
Modo Imperativo para ordem, pedido: Trabalhem com afinco…Sejam estudiosos…
Há ainda três formas nominais: infinitivo, gerúndio e particípio.
As vozes verbais indicam se o sujeito pratica ou recebe a ação.
Voz ativa, quando o sujeito pratica a ação: O professor elogiou o aluno.
Voz passiva, quando o sujeito recebe a ação: O aluno foi elogiado pelo professor…
Voz reflexiva, quando o sujeito pratica e recebe a ação: Dedicou-se aos estudos.
http://www.infoescola.com/portugues/verbos/
Quanto à estrutura, os verbos são compostos pelo radical (a parte invariável e que normalmente se repete), terminação (a parte que é flexionada) e a vogal temática (que caracteriza a conjugação).
ESTUD- AR ESCREV- ER PART- IR
São três as conjugações em língua portuguesa:
1ª Conjugação: verbos terminados em AR
2ª Conjugação: verbos terminados em ER
3ª Conjugação: verbos terminados em IR
Quanto à morfologia, classificam-se em:
Regulares: quando flexionam-se de acordo com o paradigma da conjugação.
Irregulares: quando não seguem o paradigma da conjugação.
CABER – eu caibo… MEDIR – eu meço…
Anômalos: quando sofrem modificação também no radical.
IR – eu vou… SER – eu sou…
Defectivos: quando não são conjugados em todas formas.
FALIR – não possui 1ª, 2ª e 3ª pessoa do pres. do indicativo e pres. do subjuntivo.
Abundantes: quando possuem mais de uma forma de conjugação.
ACENDIDO – ACESO, INCLUÍDO – INCLUSO
Flexionam-se em número para concordar com o sujeito/substantivo que acompanham; em pessoa; em tempo; em modo e em voz.
Quanto ao número podem ser: Singular e Plural.
Quanto à pessoa podem ser:
1ª pessoa – a que fala
2ª pessoa – com quem se fala
3ª pessoa – de quem se fala
Flexionam-se em tempo para indicar o momento em que ocorrem os fatos:
O presente é usado para fatos que ocorrem no momento em que se fala, para fatos que ocorrem no dia-a-dia, para fatos que costumam ocorrer com certa freqüência.
Ele escreve para um jornal local.
Usa-se o pretérito perfeito para indicar fatos passados, observados depois de concluídos.
Eu estudei francês o ano passado.
Usa-se o pretérito imperfeito para indicar fatos não concluídos no momento em que se fala como também para falar de fatos que ocorriam com freqüência no passado.
Ele estudava todos os dias e ainda escrevia para um jornal local.
Usa-se o pretérito mais-que-perfeito para indicar fatos passados ocorridos anteriormente a outros fatos passados.
Já escrevera muitos artigos polêmicos, quando ingressou no jornal local.
Usa-se o futuro do presente para falar de fatos ainda não ocorridos, mas que ocorrerão depois que se fala.
Usa-se o futuro do pretérito para indicar fatos futuros que dependem de outros fatos .
Ela trabalharia menos, se tivesse estudado mais.
Eu estudaria francês, se tivesse mais tempo.
O modo verbal indica de que forma o fato pode se realizar:
Modo Indicativo para fato certo: Eu estudo, Nós escreveremos.
Modo Subjuntivo para fato hipotético, desejo, dúvida: Se eles trabalhassem…
Modo Imperativo para ordem, pedido: Trabalhem com afinco…Sejam estudiosos…
Há ainda três formas nominais: infinitivo, gerúndio e particípio.
As vozes verbais indicam se o sujeito pratica ou recebe a ação.
Voz ativa, quando o sujeito pratica a ação: O professor elogiou o aluno.
Voz passiva, quando o sujeito recebe a ação: O aluno foi elogiado pelo professor…
Voz reflexiva, quando o sujeito pratica e recebe a ação: Dedicou-se aos estudos.
http://www.infoescola.com/portugues/verbos/
domingo, 8 de abril de 2012
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Luís de Camões
Expressão acabada das glórias de sua terra e do homem renovado pela Renascença, Camões consolidou a língua portuguesa e conferiu-lhe amplitude, aptidão e maleabilidade capazes de abarcar motivos de significado nacional e universal ao mesmo tempo.
Luís Vaz de Camões nasceu provavelmente em Lisboa em 1524 ou, para outros, 1525. Sua família era de pequenas posses, mas freqüentava a corte ou ocupava cargos importantes, como o do tio que era prior do mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, onde o poeta teria feito o curso de artes. Graças a esse começo se firmaram as bases de sua sólida formação cultural, que levou Wilhelm Storck a chamá-lo "filho legítimo do Renascimento, e humanista dos mais doutos e distintos de seu tempo".
De 1542 a 1545 parece ter morado em Lisboa, vivendo as primeiras paixões amorosas e dificuldades com o meio. Não se sabe com certeza por que foi forçado a trocar a capital pelo desterro no Ribatejo, mas por volta de 1547 se alistou no serviço militar e seguiu para o norte da África. Em combate perto de Ceuta, no Marrocos, perdeu o olho direito. De volta a Lisboa em 1549, conviveu um tanto com a nobreza, outro tanto com a noite das ruas e dos bordéis. Impetuoso, em 1552 feriu à espada um cavalariço do rei e foi condenado a um ano de prisão.
Após o indulto de D. João III, em março de 1553, Camões partiu para a Índia. Pouco parou em Goa: participou da expedição ao Malabar e talvez de um cruzeiro contra navios turcos no mar Vermelho. Sua estada em Macau, no cargo de provedor dos defuntos e ausentes, mais ou menos de 1556 a 1558, não é tida como certa. O que não se põe em dúvida é que, em viagem às costas da China, naufragou nas proximidades do atual Vietnam, salvando-se a nado com o manuscrito de Os lusíadas já bastante adiantado. Esteve ainda na Malásia e retornou a Goa, quando de novo teria sido preso, desta vez por dívidas. Mais tarde viveu em Moçambique, onde Diogo do Couto o encontrou "tão pobre que comia de amigos".
Com o favor desses amigos, o poeta em 1569 regressou a Lisboa. Bateu-se, então, pela publicação de Os lusíadas. Em 1571 a Inquisição lhe outorgou a licença requerida e a obra, depois de censurada, teve em 1572 sua primeira edição. No mesmo ano, o rei D. Sebastião lhe concedeu a tença de 15 mil réis, quantia sobre cujo valor há muita discussão mas que a maior parte dos estudiosos julga insignificante, ainda mais que lhe não foi paga com regularidade. Os últimos anos foram portanto de miséria e de "austera, apagada e vil tristeza".
Caracterização geral
Além de Os lusíadas, só três ou quatro poemas de Camões foram publicados durante sua vida. A maior parte da obra lírica, tal como os autos e as cartas, permaneceu inédita. A tarefa de identificar e reunir esse material precioso, a que a celebridade e grandeza do prodígio épico emprestavam aura de objeto de devoção, mobilizou muita gente, ao longo de largos anos.
Assim é que a organização da obra tem história à parte, de que um dos primeiros passos foi a publicação em 1587, por Afonso Lopes, dos autos Anfitriões e Filodemo. Seguiu-se a primeira coletânea das líricas, com o título de Rimas (1595), devida a Estêvão Lopes. Sucederam-se outras edições, expurgadas de poemas presumivelmente apócrifos ou acrescidas de dezenas de outros, às vezes duvidosos. A primeira obra completa só apareceu em 1860, preparada pelo visconde de Juromenha: os sonetos, inicialmente 108, chegavam a 352.
Do final do século XIX em diante se fizeram edições mais criteriosas, apoiadas nos trabalhos de Wilhelm Storck, Carolina Michaëlis, Agostinho de Campos, Costa Pimpão, José Maria Rodrigues, Afonso Lopes Vieira e Hernâni Cidade. Mais recentemente, pesquisadores como Jorge de Sena, Eugênio de Andrade e Emanuel Pereira Filho fixaram o extraordinário legado camoniano nos seguintes termos: Os lusíadas, 211 sonetos, 142 redondilhas, 15 canções, 13 odes, nove éclogas, cinco oitavas, quatro cartas e três autos (além dos mencionados, El-rei Seleuco).
Poesia épica
Camões é sobretudo síntese de uma época e de um povo, do espírito humanista -- com seus vastos conhecimentos, sua filosofia, sua ética -- somado à realização histórica e política da expansão marítima portuguesa. Testemunha viva e transformadora, cruzou os mares, se engajou pessoalmente nessa expansão e, imbuído daquele espírito, fez dela um monumento de arte literária. Nesse sentido, em dimensão assim tão integrada e completa, é caso único na história da poesia e é, mais do que tudo, o autor de Os lusíadas.
O poema divide-se em dez cantos de oitava rima, estância de oito versos decassílabos. O motivo central é a viagem de Vasco da Gama em busca do caminho para as Índias pelo Ocidente. Em torno desse fio condutor se fazem retrospectos e projeções da história de Portugal, entretecendo-se os personagens ou façanhas lusíadas e os seres ou feitos mitológicos, a ajuda dos deuses.
Desse modo figuras efetivamente históricas como Nuno Álvares Pereira ou Inês de Castro se tornam também mitos e heróis do mesmo Olimpo de celebração. A mescla de ideais e símbolos cristãos com a mitologia greco-romana, que a alguns causou estranheza, é inerente à posição de Camões como renascentista e aos padrões estéticos correspondentes. Ainda assim ele a transcende inteiramente, com o domínio de todos os ritmos, gêneros e técnicas que conheceu, com a vasta riqueza de suas imagens, sua sensualidade audaciosa e que impregna tantos versos, ou a agudeza de uma reflexão que vai ao fundo dos seres e das coisas, e abrange todas as contradições da condição humana.
O poema tem lição e encanto permanentes, sempre tão criativo quanto crítico: ainda que épico, logo em seguida à "fúria grande e sonorosa" diz da fragilidade e insegurança da vida, para "um bicho da terra vil e tão pequeno" (cantos I, II); exorta ao amor e à piedade nas páginas pungentes de Inês de Castro (canto III); mas sabe reerguer o clangor e a aspereza feroz da batalha de Aljubarrota, ou a dedicação maior que a própria existência, e destilar a tremenda meditação sobre a fatuidade da glória e do poder, a "vã cobiça" da fama, nos versos do velho do Restelo (canto IV) e no canto VI; assombra o leitor com a poderosa recriação zoomórfica da tromba-d'água, e com a invenção genialmente plástica, goyesca com dois séculos à frente, do gigante Adamastor (canto V); e abriga a moral do cavalheirismo e do desprendimento amoroso no episódio dos Doze da Inglaterra (canto VI); ou a ética que verbera a ambição política corrupta e socialmente iníqua, nas últimas oitavas dos cantos VII e VIII, ou no início do IX; depois, traz a maravilha do presente de Vênus aos navegantes: o paraíso erótico e o que no século XX se dirá santuário ecológico da ilha dos Amores, painel pagão de colorido admirável, súmula de um hedonismo que, na vida e obra camonianas, conflita com as idealizações ora cristãs, ora platônicas (canto IX); por fim, expõe sua resplandescente cosmologia ptolomaica e imprime tom elegíaco, de palavras proféticas, ao final (canto X). Em todas as mais de mil estâncias, um talento capaz de expressar e transfigurar qualquer coisa, das maiores às menores, das mais concretas às mais abstratas, das mais solenes às mais cotidianas.
Lírica
Tanto nos sonetos quanto nas redondilhas, Camões é também poeta e pensador, em que a sensibilidade e a consciência interagem com equilíbrio incomparável. O aspecto neoplatônico e idealista, de modelo petrarquiano, se funde à materialidade do toque dionisíaco pelo qual o amor, se "está no pensamento como idéia", também é "fogo que arde sem se ver". Tanto que ao tema dos bens e males do amor se juntam os da má sorte, do exílio em suas várias acepções, da transitoriedade dos dias, da mudança: em um soneto, "mudam-se os tempos, mudam-se as vontades"; ou, em "Babel e Sião", "E vi que todos os danos / Se causavam das mudanças, / e as mudanças dos anos". Nesse ponto o poeta está muito adiante de Petrarca e a um passo do barroco conceptista, tanto no conteúdo, como na forma: o soneto adquire inflexão emotiva mais direta e a redondilha herdada do Cancioneiro geral se faz poesia filosófica.
Quer na lírica, quer na épica, o gênio de Camões é daqueles, muito raros, que se mostram continuamente aptos a proporcionar o encontro com o sublime, a solução ao mesmo tempo mágica e de extrema inteligência, o acerto ou revelação definitiva, que magnetiza o leitor e o eleva, de súbito, a um outro estado de percepção. Às vezes, isso se instala em um ou outro de seus versos, pois o poeta é senhor de alguns dos mais perfeitos da língua, como, no soneto sobre Jacó, o remate "para tão longo amor tão curta a vida".
Autos e cartas
Ficaram ainda, da obra camoniana, autos e cartas. De matriz vicentina, os autos de Camões desenvolvem o traço coloquial que muitas vezes se insinua em sua lírica e, para bom observador, até no texto de Os lusíadas. Essa tendência lhes dá leveza dramática e acentua as surpresas de sua face burlesca. Um desses autos, o Filodemo, a tradição reza ter sido encenado pelo autor em Goa, em 1556.
Nas poucas cartas que sobreviveram das muitas escritas por Camões, entrevê-se muito de seu estilo poético: em algumas descreve para um amigo a vida social de Lisboa, seus costumes e pecados. Com ironia ácida, ataca a hipocrisia das relações mundanas e as contrapõe às doçuras da vida no campo, de onde o amigo escrevera. Em uma carta que envia da Índia, ao contrário, está saudoso de Portugal e horrorizado com aqueles trópicos também tristes, de que diz: "Da terra vos sei dizer que é mãe de vilões ruins e madrasta de homens honrados." Luís Vaz de Camões morreu em Lisboa em 10 de junho de 1580. Seus restos mortais desapareceram.
link:http://www.coladaweb.com/literatura/autores/luis-de-camoes
Luís Vaz de Camões nasceu provavelmente em Lisboa em 1524 ou, para outros, 1525. Sua família era de pequenas posses, mas freqüentava a corte ou ocupava cargos importantes, como o do tio que era prior do mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, onde o poeta teria feito o curso de artes. Graças a esse começo se firmaram as bases de sua sólida formação cultural, que levou Wilhelm Storck a chamá-lo "filho legítimo do Renascimento, e humanista dos mais doutos e distintos de seu tempo".
De 1542 a 1545 parece ter morado em Lisboa, vivendo as primeiras paixões amorosas e dificuldades com o meio. Não se sabe com certeza por que foi forçado a trocar a capital pelo desterro no Ribatejo, mas por volta de 1547 se alistou no serviço militar e seguiu para o norte da África. Em combate perto de Ceuta, no Marrocos, perdeu o olho direito. De volta a Lisboa em 1549, conviveu um tanto com a nobreza, outro tanto com a noite das ruas e dos bordéis. Impetuoso, em 1552 feriu à espada um cavalariço do rei e foi condenado a um ano de prisão.
Após o indulto de D. João III, em março de 1553, Camões partiu para a Índia. Pouco parou em Goa: participou da expedição ao Malabar e talvez de um cruzeiro contra navios turcos no mar Vermelho. Sua estada em Macau, no cargo de provedor dos defuntos e ausentes, mais ou menos de 1556 a 1558, não é tida como certa. O que não se põe em dúvida é que, em viagem às costas da China, naufragou nas proximidades do atual Vietnam, salvando-se a nado com o manuscrito de Os lusíadas já bastante adiantado. Esteve ainda na Malásia e retornou a Goa, quando de novo teria sido preso, desta vez por dívidas. Mais tarde viveu em Moçambique, onde Diogo do Couto o encontrou "tão pobre que comia de amigos".
Com o favor desses amigos, o poeta em 1569 regressou a Lisboa. Bateu-se, então, pela publicação de Os lusíadas. Em 1571 a Inquisição lhe outorgou a licença requerida e a obra, depois de censurada, teve em 1572 sua primeira edição. No mesmo ano, o rei D. Sebastião lhe concedeu a tença de 15 mil réis, quantia sobre cujo valor há muita discussão mas que a maior parte dos estudiosos julga insignificante, ainda mais que lhe não foi paga com regularidade. Os últimos anos foram portanto de miséria e de "austera, apagada e vil tristeza".
Caracterização geral
Além de Os lusíadas, só três ou quatro poemas de Camões foram publicados durante sua vida. A maior parte da obra lírica, tal como os autos e as cartas, permaneceu inédita. A tarefa de identificar e reunir esse material precioso, a que a celebridade e grandeza do prodígio épico emprestavam aura de objeto de devoção, mobilizou muita gente, ao longo de largos anos.
Assim é que a organização da obra tem história à parte, de que um dos primeiros passos foi a publicação em 1587, por Afonso Lopes, dos autos Anfitriões e Filodemo. Seguiu-se a primeira coletânea das líricas, com o título de Rimas (1595), devida a Estêvão Lopes. Sucederam-se outras edições, expurgadas de poemas presumivelmente apócrifos ou acrescidas de dezenas de outros, às vezes duvidosos. A primeira obra completa só apareceu em 1860, preparada pelo visconde de Juromenha: os sonetos, inicialmente 108, chegavam a 352.
Do final do século XIX em diante se fizeram edições mais criteriosas, apoiadas nos trabalhos de Wilhelm Storck, Carolina Michaëlis, Agostinho de Campos, Costa Pimpão, José Maria Rodrigues, Afonso Lopes Vieira e Hernâni Cidade. Mais recentemente, pesquisadores como Jorge de Sena, Eugênio de Andrade e Emanuel Pereira Filho fixaram o extraordinário legado camoniano nos seguintes termos: Os lusíadas, 211 sonetos, 142 redondilhas, 15 canções, 13 odes, nove éclogas, cinco oitavas, quatro cartas e três autos (além dos mencionados, El-rei Seleuco).
Poesia épica
Camões é sobretudo síntese de uma época e de um povo, do espírito humanista -- com seus vastos conhecimentos, sua filosofia, sua ética -- somado à realização histórica e política da expansão marítima portuguesa. Testemunha viva e transformadora, cruzou os mares, se engajou pessoalmente nessa expansão e, imbuído daquele espírito, fez dela um monumento de arte literária. Nesse sentido, em dimensão assim tão integrada e completa, é caso único na história da poesia e é, mais do que tudo, o autor de Os lusíadas.
O poema divide-se em dez cantos de oitava rima, estância de oito versos decassílabos. O motivo central é a viagem de Vasco da Gama em busca do caminho para as Índias pelo Ocidente. Em torno desse fio condutor se fazem retrospectos e projeções da história de Portugal, entretecendo-se os personagens ou façanhas lusíadas e os seres ou feitos mitológicos, a ajuda dos deuses.
Desse modo figuras efetivamente históricas como Nuno Álvares Pereira ou Inês de Castro se tornam também mitos e heróis do mesmo Olimpo de celebração. A mescla de ideais e símbolos cristãos com a mitologia greco-romana, que a alguns causou estranheza, é inerente à posição de Camões como renascentista e aos padrões estéticos correspondentes. Ainda assim ele a transcende inteiramente, com o domínio de todos os ritmos, gêneros e técnicas que conheceu, com a vasta riqueza de suas imagens, sua sensualidade audaciosa e que impregna tantos versos, ou a agudeza de uma reflexão que vai ao fundo dos seres e das coisas, e abrange todas as contradições da condição humana.
O poema tem lição e encanto permanentes, sempre tão criativo quanto crítico: ainda que épico, logo em seguida à "fúria grande e sonorosa" diz da fragilidade e insegurança da vida, para "um bicho da terra vil e tão pequeno" (cantos I, II); exorta ao amor e à piedade nas páginas pungentes de Inês de Castro (canto III); mas sabe reerguer o clangor e a aspereza feroz da batalha de Aljubarrota, ou a dedicação maior que a própria existência, e destilar a tremenda meditação sobre a fatuidade da glória e do poder, a "vã cobiça" da fama, nos versos do velho do Restelo (canto IV) e no canto VI; assombra o leitor com a poderosa recriação zoomórfica da tromba-d'água, e com a invenção genialmente plástica, goyesca com dois séculos à frente, do gigante Adamastor (canto V); e abriga a moral do cavalheirismo e do desprendimento amoroso no episódio dos Doze da Inglaterra (canto VI); ou a ética que verbera a ambição política corrupta e socialmente iníqua, nas últimas oitavas dos cantos VII e VIII, ou no início do IX; depois, traz a maravilha do presente de Vênus aos navegantes: o paraíso erótico e o que no século XX se dirá santuário ecológico da ilha dos Amores, painel pagão de colorido admirável, súmula de um hedonismo que, na vida e obra camonianas, conflita com as idealizações ora cristãs, ora platônicas (canto IX); por fim, expõe sua resplandescente cosmologia ptolomaica e imprime tom elegíaco, de palavras proféticas, ao final (canto X). Em todas as mais de mil estâncias, um talento capaz de expressar e transfigurar qualquer coisa, das maiores às menores, das mais concretas às mais abstratas, das mais solenes às mais cotidianas.
Lírica
Tanto nos sonetos quanto nas redondilhas, Camões é também poeta e pensador, em que a sensibilidade e a consciência interagem com equilíbrio incomparável. O aspecto neoplatônico e idealista, de modelo petrarquiano, se funde à materialidade do toque dionisíaco pelo qual o amor, se "está no pensamento como idéia", também é "fogo que arde sem se ver". Tanto que ao tema dos bens e males do amor se juntam os da má sorte, do exílio em suas várias acepções, da transitoriedade dos dias, da mudança: em um soneto, "mudam-se os tempos, mudam-se as vontades"; ou, em "Babel e Sião", "E vi que todos os danos / Se causavam das mudanças, / e as mudanças dos anos". Nesse ponto o poeta está muito adiante de Petrarca e a um passo do barroco conceptista, tanto no conteúdo, como na forma: o soneto adquire inflexão emotiva mais direta e a redondilha herdada do Cancioneiro geral se faz poesia filosófica.
Quer na lírica, quer na épica, o gênio de Camões é daqueles, muito raros, que se mostram continuamente aptos a proporcionar o encontro com o sublime, a solução ao mesmo tempo mágica e de extrema inteligência, o acerto ou revelação definitiva, que magnetiza o leitor e o eleva, de súbito, a um outro estado de percepção. Às vezes, isso se instala em um ou outro de seus versos, pois o poeta é senhor de alguns dos mais perfeitos da língua, como, no soneto sobre Jacó, o remate "para tão longo amor tão curta a vida".
Autos e cartas
Ficaram ainda, da obra camoniana, autos e cartas. De matriz vicentina, os autos de Camões desenvolvem o traço coloquial que muitas vezes se insinua em sua lírica e, para bom observador, até no texto de Os lusíadas. Essa tendência lhes dá leveza dramática e acentua as surpresas de sua face burlesca. Um desses autos, o Filodemo, a tradição reza ter sido encenado pelo autor em Goa, em 1556.
Nas poucas cartas que sobreviveram das muitas escritas por Camões, entrevê-se muito de seu estilo poético: em algumas descreve para um amigo a vida social de Lisboa, seus costumes e pecados. Com ironia ácida, ataca a hipocrisia das relações mundanas e as contrapõe às doçuras da vida no campo, de onde o amigo escrevera. Em uma carta que envia da Índia, ao contrário, está saudoso de Portugal e horrorizado com aqueles trópicos também tristes, de que diz: "Da terra vos sei dizer que é mãe de vilões ruins e madrasta de homens honrados." Luís Vaz de Camões morreu em Lisboa em 10 de junho de 1580. Seus restos mortais desapareceram.
link:http://www.coladaweb.com/literatura/autores/luis-de-camoes
Tempos verbais
Tempos Verbais
Tomando-se como referência o momento em que se fala, a ação expressa pelo verbo pode ocorrer em diversos tempos. Veja:
1. Tempos do Indicativo
Presente - Expressa um fato atual.
Por exemplo:
Pretérito Imperfeito - Expressa um fato ocorrido num momento anterior ao atual, mas que não foi completamente terminado. (inconclusão)
Por exemplo:
Pretérito Perfeito (simples) -Expressa um fato ocorrido num momento anterior ao atual e que foi totalmente terminado.(conclusão)
Por exemplo:
Pretérito Perfeito (composto) -Expressa um fato que teve início no passado e que pode se prolongar até o momento atual.
Por exemplo:
Pretérito-Mais-Que-Perfeito - Expressa um fato ocorrido antes de outro fato já terminado.
Por exemplo:
Ele já estudara as lições quando os amigos chegaram. (forma simples)
Futuro do Presente (simples) - Enuncia um fato que deve ocorrer num tempo vindouro com relação ao momento atual.
Por exemplo:
Futuro do Presente (composto) -Enuncia um fato que deve ocorrer posteriormente a um momento atual, mas já terminado antes de outro fato futuro.
Por exemplo:
Futuro do Pretérito (simples) - Enuncia um fato que pode ocorrer posteriormente a um determinado fato passado, ou uma possíbilidade.
Por exemplo:
Futuro do Pretérito (composto) - Enuncia um fato que poderia ter ocorrido posteriormente a um determinado fato passado.
Por exemplo:
Pessoal, obviamente que esse texto não está completo, nos serve para o entendimento dos tempos verbais do modo indicativo, e dessa forma, a compreender melhor a aula da Professora Patricia.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
I Colóquio Internacional de Educação em Quatis
Lembrando que colóquio é uma conversa, uma palestra, com o intuito de discussão acerca de um assunto comum, venho lembrar que acontecerá em Quatis, no dia 12 de abril o I Colóquio Internacional de Educação. No mesmo os profissionais falarão da Escola da Ponte, uma iniciativa que deu certo em Portugal, onde os alunos alcançam os melhores resultados em exames nacionais com métodos bem diferentes.
Espero todos lá!
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